Espiritismo

Espiritismo, Doutrina Espírita - Apresentação


É a Doutrina codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, usando o pseudônimo Allan Kardec.
É uma Doutrina que alia ciência, filosofia e religião, buscando a melhor compreensão não apenas do universo tangível (científico), mas também do universo que a esse transcendente (filosófico e religioso).

A Doutrina Espírita é baseada em cinco obras básicas (que juntas formam o pentateuco), escritas por Allan Kardec, através da observação de fenômenos que o mesmo atribuía a manifestações de inteligências incorpóreas ou imateriais, denominadas espíritos
A codificação espírita está presente em:

O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese; somam-se à codificação as chamadas obras "complementares", como O que é o Espiritismo?, Revista Espírita e Obras Póstumas e todos os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier.

O termo Espiritismo foi criado por Kardec em 1857 para definir especificamente o corpo de ideias por ele reunidas trazidas pelos espíritos, através de diversos médiuns e codificadas em "O Livro dos Espíritos".
Na publicação do livro O Que é o Espiritismo, o codificador a define como uma doutrina que trata da "natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal e as consequências morais que dela emanam", e fundamenta-se nas manifestações e nos ensinamentos dos espíritos.

É compreendida como uma Doutrina de cunho científico-filosófico-religioso voltada para o aperfeiçoamento moral do homem, que acredita na possibilidade de comunicação com os espíritos através de médiuns. 
A Doutrina Espírita também é conhecida por influenciar e prover um movimento social de instituições de caridade e saúde, que envolve milhões de pessoas em dezenas de países.

O Espiritismo tem se expandido e, segundo dados do ano 2005, conta com cerca de 15 milhões de adeptos espalhados entre diversos países, como, Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Bélgica, Estados Unidos, Japão, Alemanha, Argentina, Canadá,  e, principalmente, alguns países americanos como Cuba, Jamaica e Brasil, sendo que este tem a maior quantidade de adeptos no mundo.

No entanto, vale frisar que é difícil estipular a quantidade existente de espíritas, pois as principais estipulações sobre isso são baseadas em censos demográficos em que se é perguntado qual a religião dos cidadãos, porém nem todos os adeptos do Espiritismo interpretam o Espiritismo como religião.



"O Livro dos Espíritos" Dos cinco livros fundamentais que compõem a Codificação do Espiritismo, este foi o primeiro, reunindo os ensinos dos Espíritos Superiores através de médiuns de várias partes do Mundo. Ele é o marco inicial de uma Doutrina que trouxe uma profunda repercussão no pensamento e na visão de vida de considerável parcela da Humanidade, desde 1857, data da primeira edição francesa. Estruturado em quatro partes e contendo 1.019 perguntas formuladas pelo Codificador, aborda os ensinamentos espíritas, de uma forma lógica e racional, sob os aspectos científico, filosófico e religioso. Independentemente de crença ou convicção religiosa, a leitura de “O Livro dos Espíritos” será de imenso valor para todos, porque trata de Deus, da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos, de suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do porvir da Humanidade, assuntos de interesse geral e de grande atualidade.
 O Livro dos Médiuns pdf

"O Livro dos Médiuns” É uma das cinco obras que constituem a Codificação da Doutrina Espírita. Reúne “o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo”. Apresenta ainda, na parte final, precioso vocabulário básico espírita. De leitura e consulta indispensável para os espíritas, será sempre uma preciosa fonte de conhecimento também para qualquer pessoa indagadora e atenta ao fenômeno mediúnico, que se manifesta crescentemente no mundo inteiro, dentro ou fora das atividades espíritas. Sendo os homens parte integrante do intercâmbio entre os dois planos da vida o material e o espiritual, o melhor é que conheçamos, e bem, os mecanismos desse relacionamento. “O Livro dos Médiuns” é o manual mais seguro para todos os que se dedicam às atividades de comunicação com o Mundo Espiritual.
 O Evangelho Segundo o Espiritismo pdf

"O Evangelho Segundo o Espiritismo” É um dos cinco livros que constituem o corpo doutrinário do Espiritismo. “O Evangelho segundo o Espiritismo” é o ensino moral do Cristo Jesus para os cristãos de qualquer crença, desenvolvido pelos Espíritos de Luz em comunicações mediúnicas recolhidas, organizadas, comentadas e trazidas a público pelo Codificador Allan Kardec. Se o leitor é cristão, leia com aplicação o ensino moral do Mestre Jesus para a Humanidade sofredora e dê-se conta de conteúdos que talvez nunca antes tenha percebido, ou compreendido plenamente. Se não é cristão, mas um espírito indagador, leia com respeito a orientação desse Espírito divino, dada há dois mil anos e sempre atual, em seu caráter educativo, motivador e consolador.
 O Céu e o Inferno pdf

"O Céu e o Inferno" Esta é uma das cinco obras básicas que compõem a Codificação do Espiritismo. Seu principal escopo é explicar a Justiça de Deus à luz da Doutrina Espírita. Objetiva demonstrar a imortalidade do Espírito e a condição que ele usufruirá no Mundo Espiritual, como conseqüência de seus próprios atos. Divide-se em duas partes: A primeira, estabelece um exame comparado das doutrinas religiosas sobre a vida após a morte. Mostra fatos como a morte de crianças, seres nascidos com deformações, acidentes coletivos e uma gama de problemas que só a imortalidade da alma e a reencarnação explicam satisfatoriamente. Kardec procura elucidar temas como: anjos, céu, demônios, inferno, penas eternas, purgatório, temor da morte, a proibição mosaica sobre a evocação dos mortos, etc. Apresenta, também, a explicação espírita contrária à doutrina das penas eternas. A segunda parte, resultante de um trabalho prático, reúne exemplos acerca da situação da alma durante e após a desencarnação. São depoimentos de criminosos arrependidos, de espíritos endurecidos, de espíritos felizes, medianos, sofredores, suicidas e em expiação terrestre. Livros da Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos, 1857; O Livro dos Médiuns, 1861; O Evangelho segundo o Espiritismo, 1864; O Céu e o Inferno, 1865; A Gênese, 1868.

 A Gênese pdf
 Obras Póstumas pdf"A Gênese" É uma das cinco obras básicas da Codificação do Espiritismo. É um livro que, conhecido e estudado, proporciona uma oportunidade excepcional de imersão em grandes temas de interesse universal, abordados de forma lógica, racional e reveladora. Divide-se em três partes: Na primeira parte, analisa a origem do planeta Terra, de forma coerente, fugindo às interpretações misteriosas e mágicas sobre a criação do mundo; Em sua segunda parte, aborda a questão dos milagres, explicando a natureza dos fluidos e os fatos extraordinários contidos no Evangelho; Na terceira parte enfoca as predições do Evangelho, os sinais dos tempos e a geração nova, que marcará um novo tempo no Mundo com a prática da justiça, da paz e da fraternidade. Os assuntos apresentados nos dezoito capítulos desta obra têm como base a imutabilidade das grandiosas Leis Divinas.


"Obras Póstumas" Obra publicada após a desencarnação de Allan Kardec, apresenta, no começo, bem escrita biografia do Codificador, seguida do discurso que Camille Flammarion pronunciou quando do seu sepultamento. Reunindo importantes registros deixados por Allan Kardec, acerca de pontos doutrinários e fundamentação do Espiritismo, divide-se este trabalho em duas grandes partes. A primeira aborda assuntos como: caráter e conseqüências religiosas das manifestações dos Espíritos; as cinco alternativas da Humanidade; questões e problemas; as expiações coletivas; liberdade, igualdade, fraternidade; música espírita; a morte espiritual; a vida futura A segunda inclui apontamentos em torno da iniciação espírita e o roteiro missionário de Kardec, assim como uma “exposição de motivos”, apresentada na “Constituição do Espiritismo”, como precioso legado do mestre lionês às sociedades espíritas do futuro.

 O que é o Espiritismo pdf
"O que é o Espiritismo" Obra sempre atual, útil aos adeptos da Doutrina Espírita, como também àqueles que desejam conhecer a natureza do Espiritismo e a definição de seus pontos fundamentais. A lógica e o bom senso de Allan Kardec aí se evidenciam, desconcertando os negativistas e clareando as indagações dos que acreditam e aspiram à vida superior. Divide-se em 3 capítulos: O primeiro, sob a forma de diálogos com um crítico, um céptico e um padre, traz respostas àqueles que desconhecem os princípios básicos da Doutrina, bem como apropriadas refutações aos seus contraditores. O segundo capítulo, expõe partes da ciência prática e experimental, caracterizando-se como um resumo de O Livro dos Médiuns. No terceiro capítulo, é publicado o resumo de O Livro dos Espíritos, com a solução, apontada pela Doutrina Espírita, de problemas de ordem psicológica, moral e filosófica. Contém também a biografia de Allan Kardec, por Henri Sausse.

Entendendo o amadurecimento do Espiritismo do princípio até os dias de hoje


Índice:


1.0 - O que é o Espiritismo?  Espiritismo é Religiaõ?

1.1  - O Que é o Espiritismo? (em língua francesa Qu'est-ce que le Spiritisme?)
1.2  - E Quais são os Fundamentos Básicos do Espiritismo?
1.3  - A Comunicabilidade dos Espíritos
1.4  - Como o Espiritismo interpreta o Céu e o Inferno?
1.5  - Espiritismo é Religião?
1.6  - Afinal, o Espiritismo é ou não é Religião?
1.7  - Consultando algumas obras da Codificação
1.8  - Conclusão: ESPIRITISMO NÃO É RELIGIÃO se não, em seu sentido moral filosófico
1.9  - Bezerra de Menezes - "No trabalho de unificação" - Mensagem
1.10 - Dr. Romano(mentor espiritual da Casa NEC-J) - "Nossa Casa Espírita" - Mensagem
1.11 - Decadência das Religiões Contemporâneas

2.0 - Etimologia e uso - O que é Doutrina Espírita e Doutrina Umbandista

2.1 - DOUTRINA ESPÍRITA, não pode ser confundida com a prática da DOUTRINA UMBANDISTA
2.2 - Explicando o advento do CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS

3.0 - História do Espiritismo - Codificação da Doutrina

3.1-  Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec 1804 - 1869) - Missão
3.2 - Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) - Biografia
3.3 - Allan Kardec - O Estudo dos Fenômenos Mediúnicos e a Codificação do Espiritismo
3.4 - Surgia aí, a Doutrina dos Espíritos, sistematizada na primeira edição de "O Livro dos Espíritos"


4.0 - PERÍODOS ESPÍRITAS

5.0 - ALLAN KARDEC E O BRASIL

6.0 - FRATERNIDADES DO ESPAÇO

6.1 - As Fraternidades do Espaço - Edgard Armond
6.2 - As Fraternidades reunidas para auxiliar nas Casas Espíritas


7.0 - M.E - MOVIMENTO ESPÍRITA

7.1 O Cristo desde o princípio sabia que sua Doutrina teria divisões

8.0 - Estudando as Divisões do Movimento Espírita

8.1.0 - Movimento Religioso
8.1.1 - Movimento Filosófico-Religioso
8.1.2 - Movimento Evangélico
8.2.0 - Movimento Espírita Umbandista (umbandismo)
8.3.0 - Movimento Esotérico ou Místico
8.4.0 - Movimento Laicista
8.5.0 - Movimento Científico
8.6.0 - Movimento Livre-Pensador
8.7.0 - Movimento Universalista

1.0 - O que é o Espiritismo?  Espiritismo é Religião?



1.1 O Que é o Espiritismo? (em língua francesa Qu'est-ce que le Spiritisme?)


Nós vamos, primeiramente, recorrer ao livro "O que é o Espiritismo".
De autoria de Allan Kardec, foi publicado em Paris no ano de 1859.

A obra sucedeu a publicação de O Livro dos Espíritos (1857), e apresenta, de forma sucinta, os Princípios da Doutrina Espírita assim como respostas às principais objeções que lhe podiam ser apresentadas.


 É dividida em três partes:


1 - A primeira apresenta três diálogos, em que Kardec conversa com um crítico, um cético, e um padre;

2 - A segunda, noções elementares de Espiritismo;
3 - A terceira, a solução de alguns problemas do quotidiano pela Doutrina Espírita.

"O Espiritismo é, ao mesmo tempo, Ciência Experimental e Doutrina Filosófica".


Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos.


Como filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações.


Pode ser definido assim:

"O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal."
Kardec, Allan - O que é o Espiritismo - Prólogo, pág. 12, LAKE

Mais à frente, no mesmo livro, podemos observar uma conversa de Allan Kardec com um padre, em que ambos estabelecem o seguinte diálogo:


O sacerdote - Convenho em que, no que diz respeito às questões em geral, o Espiritismo é conforme às grandes verdades do Cristianismo.


Mas... e aos dogmas?


Não vai ele de encontro a certos princípios que a igreja ensina?


Allan Kardec - O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência, e não se ocupa com questões dogmáticas.


Como ciência, e como todas as filosofias, tem consequências morais.


Estas são boas ou más?


Pode-se julgá-lo pelos princípios gerais que acabo de recordar.


Algumas pessoas se equivocaram quanto ao verdadeiro caráter do Espiritismo.


Kardec, Allan - O que é o Espiritismo - Cap. I, Terceiro Diálogo - O sacerdote, pág. 97, LAKE

Um pouco mais à frente, Kardec, ainda detalha mais esta questão...

"Melhor observado depois de sua divulgação, o Espiritismo faz luz sobre uma multidão de questões até hoje tidas como insolúveis ou mal compreendidas. 
Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião. A prova disso é que conta entre seus adeptos homens de todas as crenças (...)".
Kardec, Allan - O que é o Espiritismo - Cap. I, Terceiro Diálogo - O sacerdote, pág. 98-99, LAKE

Resumo:

O Espiritismo é, ao mesmo tempo filosofia, ciência e religião(no sentido moral).

Filosofia, porque dá uma interpretação da vida, respondendo questões como “de onde eu vim”, “o que faço no mundo”, “para onde irei depois da morte(desencarne)”.


Toda Doutrina que dá uma interpretação da vida, uma concepção própria do mundo, é uma filosofia.


Ciência, porque estuda, à luz da razão e dentro de critérios científicos, os fenômenos mediúnicos, isto é, fenômenos provocados pelos espíritos e que não passam de fatos naturais.


Todos os fenômenos, mesmo os mais estranhos, têm explicação científica.


Não existe o sobrenatural no Espiritismo.


Religião, porque tem por objetivo a transformação moral do homem, revivendo os ensinamentos de Jesus Cristo, na sua verdadeira expressão de simplicidade, pureza e amor.


Uma religião simples sem sacerdotes, cerimoniais e nem sacramentos de espécie alguma.


Sem rituais, culto a imagens, velas, vestes especiais, nem manifestações exteriores.


A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo.

O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.

É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.

Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.”

Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica.

Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras.

Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra.

(Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, nº 5 O Espiritismo)
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1.2 E Quais são os Fundamentos Básicos do Espiritismo?


1 - A existência de Deus que é o Criador, causa primária de todas as coisas.

A Suprema Inteligência.

É eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom.


2 - A imortalidade da alma ou espírito.


O espírito é o princípio inteligente do Universo, criado por Deus, para evoluir e realizar-se individualmente pelos seus próprios esforços.


Como espíritos já existíamos antes do nascimento e continuaremos a existir depois da morte do corpo.


3 - A Pluralidade das existências (reencarnação).


Criado simples e sem nenhum conhecimento, o espírito é quem decide e cria o seu próprio destino.


Para isso, ele é dotado de livre-arbítrio, ou seja, capacidade de escolher entre o bem e o mal.


Tem a possibilidade de se desenvolver, evoluir, aperfeiçoar-se, de tornar-se cada vez melhor, mais perfeito, como um aluno na escola, passando de uma série para outra, através dos diversos cursos.


Essa evolução requer aprendizado, e o espírito só pode alcançá-la encarnando no mundo e encarnando, quantas vezes necessárias, para adquirir mais conhecimento, através das múltiplas experiências de vida.


O progresso adquirido pelo espírito não é somente intelectual, mas, sobretudo, o progresso moral.


"A cada nova existência, o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal." Allan Kardec


Não nos lembramos das existências passadas e nisso também se manifesta a sabedoria de Deus. Se lembrássemos do mal que fizemos ou dos sofrimentos que passamos, dos inimigos que nos prejudicaram ou daqueles a quem prejudicamos, não teríamos condições de viver entre eles atualmente.


Pois, muitas vezes, os inimigos do passado hoje são nossos filhos, nossos irmãos, nossos pais, nossos amigos que, presentemente, se encontram junto de nós para a reconciliação.


A reencarnação, desta forma, é a oportunidade de reparação, assim como é, também, oportunidade de devotarmos nossos esforços pelo bem dos outros, apressando nossa evolução espiritual.


Pelo mecanismo da reencarnação vemos que Deus não castiga.


Somos nós os causadores dos próprios sofrimentos, pela lei de “ação e reação”.


1.3 A Comunicabilidade dos Espíritos.


Os espíritos são seres humanos desencarnados e continuam sendo como eram quando encarnados: bons ou maus, sérios ou brincalhões, trabalhadores ou preguiçosos, cultos ou medíocres, verdadeiros ou mentirosos.


Eles estão por toda parte.


Não estão ociosos.


Pelo contrário, eles têm as suas ocupações. Através dos denominados médiuns, o espírito pode se comunicar conosco, se puder e se quiser.


A pluralidade dos mundos habitados


Os diferentes mundos, disseminados pelo espaço infinito, constituem as inúmeras moradas aos Espíritos que neles encarnam.


As condições desses mundos diferem quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridades dos seus habitantes.


1.4 Como o Espiritismo interpreta o Céu e o Inferno?


Não há céu nem inferno. Existem, sim, estados de alma que podem ser descritos como celestiais ou infernais. Não existem também anjos ou demônios, mas apenas espíritos superiores e 
espíritos inferiores, que também estão a caminho da perfeição - os bons se tornando melhores e os maus se regenerando.

Deus não se esquece de nenhum de seus filhos, deixando a cada um o mérito das suas obras. Somente desta forma podemos entender a Suprema Justiça Divina.


Por que o Espiritismo realça a Caridade?


Porque fora dos preceitos da verdadeira caridade, o espírito não poderá atingir a perfeição para a qual foi destinado. Tendo-a por norma, todos os homens são irmãos e qualquer que seja a 
forma pela qual adorem o Criador, eles se estendem as mãos, se entendem e se ajudam mutuamente.

Por que Fé Raciocinada?


A fé sem raciocínio não passa de uma crendice ou mesmo de uma superstição. Antes de aceitarmos alguma coisa como verdade, devemos analisá-la bem. “Fé inabalável é aquela que pode 
encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.”- Allan Kardec.

1.5 Espiritismo é Religião?


Opinião de Kardec sobre o tema: Espiritismo é religião?
Allan Kardec em "Discurso de Abertura", de 2 de novembro de 1868, publicado na "Revue" de dezembro do mesmo ano:

Primeiramente, lembremos o clássico artigo publicado na "Revista espírita" de dezembro de 1868, intitulado "O espiritismo é uma religião?", pois nesse texto, Kardec declara não ser o espiritismo uma religião por não possuir os caracteres das religiões tradicionais como as cerimônias e os sacerdotes.


Todavia, afirma ele nesse mesmo texto:


"O laço estabelecido por uma religião é um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, [...].


O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, [...] a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. [...]


Se assim é, perguntarão, então se o Espiritismo é uma Religião?


Ora, sim, sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o espiritismo é uma religião".


Kardec é bem claro em sua opinião ao possibilitar que o espiritismo seja considerado uma religião apenas em seu aspecto filosófico, ou seja, por reunir em torno de seus princípios filosóficos os homens numa congregação de fraternidade e benevolência, para então concluir, após a afirmativa acima:


"O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres duma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria tornar-se de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: Doutrina filosófica e moral".


Eis uma observação de Kardec, muito a propósito, na Revue Spirite de 1864, p. 199, com respeito à divulgação do Espiritismo como uma religião pelos doutores da Lei da era moderna:


"Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o clero?


Onde se viu, até o presente, o culto e os sacerdotes do Espiritismo?


Se algum dia ele (Espiritismo*) se tornar uma religião, o CLERO é quem o terá provocado".


O sacerdote - O senhor faz não obstante, as invocações segundo uma fórmula religiosa?


Allan Kardec - Anima-nos, certamente, um sentimento de religioso, nas evocações e em nossas reuniões.


Não existe, porém, uma fórmula sacramental.


Para os Espíritos o pensamento é tudo; a forma não vale nada.


Nós os invocamos em nome de Deus porque cremos em Deus e sabemos que nada se cumpre neste mundo sem a Sua permissão e porque se Deus não lhes permitisse vir, não viriam. (...)


Isto tudo o que prova?


QUE NÃO SOMOS ATEUS, O QUE DE NENHUM MODO IMPLICA EM QUE SEJAMOS

RELIGIOSOS."

1.6 Afinal, o Espiritismo é ou não é Religião?


Tema tão antigo quanto o Espiritismo, tornou-se recorrente e motivo de discórdia, de cisão e de posturas sectárias.

Tanto que, nos anos 1980, o movimento espírita se viu dividido entre duas posições antagônicas, a dos espíritas religiosos e a dos não-religiosos.

Ruptura semelhante à que ocorreu entre os espíritas místicos e os espíritas científicos, no Brasil do século 19.

Essa divisão ainda prossegue, sem que possamos vislumbrar algum tipo de consenso.


Todavia, ninguém melhor do que o fundador do Espiritismo para defini-lo.



"E ele o fez diversas vezes, em vários momentos de sua obra".

Apesar da evidente vinculação doutrinária ao cristianismo, Allan Kardec rechaçou de modo veemente o suposto caráter religioso do Espiritismo e condenou o uso da palavra religião para classificá-lo, devido ao seu duplo sentido: de laço e de culto.

Quem primeiro levantou esse tema foi o Abade Chesnel, ao considerar que havia “uma nova religião em Paris” que deveria ser combatida e reprimida.

Através da Revista Espírita, Kardec rebateu a tese do Abade, também expondo-a de forma didática em O Que é o Espiritismo, no debate com o Padre (item 1.1 deste texto).

Allan Kardec insistiu em definir o Espiritismo como uma ciência de observação, de consequências morais, como qualquer ciência ou forma de conhecimento.

A seguir, iremos transcrever de suas obras uma série de pensamentos do Druida de Lyon, a fim de observarmos que ele não vacilou nessa questão e sempre procurou deixar claro, de modo bem didático, o que pensava a respeito do caráter e da natureza da Doutrina Espírita.

1.7 Consultando algumas obras da Codificação


Livro "O Que é o Espiritismo"


O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos e de suas relações com o mundo corporal.” (p. 44)

O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa das questões dogmáticas".

"Essa ciência tem consequências morais, como todas as ciências filosóficas.” (p. 102)

“O seu verdadeiro caráter é, portanto, o de uma ciência e não o de uma religião.” (p. 103)

O Espiritismo conta entre os seus partidários homens de todas as crenças, que nem por isso renunciam às suas convicções: católicos fervorosos, protestantes, judeus, muçulmanos, e até budistas e hindus.”(p. 103)

O Espiritismo não era mais que simples Doutrina filosófica; foi a própria Igreja que o proclamou como nova religião.” (p. 100) 

“Não somos ateus, porém não implica isso que sejamos protestantes.”(p. 104)

Só “existem duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a Doutrina Filosófica.” (p. 95)

“Sem ser em si mesmo uma religião, o Espiritismo está ligado essencialmente às idéias religiosas.” (p. 116)

Livro "A Gênese"

“É, pois, rigorosamente exato dizer que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação.” (p. 20)


“O Espiritismo é uma revelação (...) na acepção científica da palavra.” (p.19)


Livro "O Livro dos Espíritos"

A primeira obra que levou o Espiritismo a ser considerado de um ponto de vista filosófico, pela dedução das consequências morais dos fatos.” (p. 40 - Nota de rodapé)

“As religiões hão sido sempre instrumentos de dominação.” (p. 17)


Livro "O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples"

“Do ponto de vista religioso, o Espiritismo tem por base as verdades fundamentais de todas as religiões.” (p. 27)

“Homens de todas as castas, de todas as seitas, de todas as cores, sois todos irmãos.” (p. 39)

1.8 Conclusão: ESPIRITISMO NÃO É RELIGIÃO, senão em seu sentido moral filosófico.


Na década de 1880, o incipiente Movimento Espírita na capital (e no país - BRASIL) estava marcado pela dispersão de seus adeptos e das entidades em que se reuniam.

Já havia também uma clara divisão entre dois "grupos" de espíritas: os que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso (maior grupo, o qual se incluía Bezerra) e os que não aceitavam o Espiritismo nesse aspecto.

Em 1889, Bezerra foi percebido como o único capaz de superar as divisões, vindo a ser eleito presidente da Federação Espírita Brasileira.

Nós entendemos o que Bezerra de Menezes desejava no sentido de unificar...

"Um dos maiores obstáculos capazes de retardar a propagação da Doutrina seria a falta de unidade".

O único meio de evitá-la, senão quanto ao presente, pelo menos quanto ao futuro, é formulá-la em todas as suas partes e até nos mais mínimos detalhes, com tanta precisão e clareza, que impossível se torne qualquer interpretação divergente.
" ALLAN KARDEC, Obras Póstumas, Projeto 1868".

Para melhor compreender, reflitamos nestas duas mensagens:

1.9 Bezerra de Menezes - "No trabalho de unificação" Mensagem

O serviço de unificação em nossas fileiras é urgente mas não apressado.

Uma afirmativa parece destruir a outra.

Mas não é assim.

É urgente porque define o objetivo a que devemos todos visar; mas não apressado, porquanto não nos compete violentar consciência alguma.

Mantenhamos o propósito de irmanar, aproximar, confraternizar e compreender e, se possível, estabeleçamos em cada lugar, onde o nome do Espiritismo apareça por legenda de luz, um grupo de estudo, ainda que reduzido, da Obra Kardequiana, à luz do Cristo de Deus.

A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice.

Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção.

Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base Kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.

Ensinar, mas fazer; crer, mas estudar; aconselhar, mas exemplificar; reunir, mas alimentar.

É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Divinos a Allan Kardec: sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.

Allan Kardec nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que a nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.

Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.

Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos. 

Bezerra de Menezes (Trechos da mensagem “Unificação”, Psic. F.C.Xavier – Reformador, dez/1975) FONTE: CEI - Conselho Espírita Internacional.

1.10 Dr. Romano (mentor espiritual da Casa NEC-J) - "Nossa Casa Espírita"


Queridos irmãos.

A misericórdia Divina nos une em propósito de trabalho de uns para com os outros.

Nesse propósito, vos convido a formar um grupo de trabalho que será  "Nossa Casa Espírita".

Trabalharemos com humildade e simplicidade!

Uniremos os esforços das fraternidades do espaço, bem como de todos quantos possam nos auxiliar nessa tarefa; encarnados e desencarnados.

Nosso lema será: "Trabalho bem feito é sinal de amor, compreensão e dedicação".

Vossas reuniões, até o presente momento, tem sido direcionadas, segundo minhas próprias orientações ao estudo Doutrinário do Espiritismo.

"Nesse meio tempo, vos tenho preparado para assumirem na Terra do Sol Nascente, uma nova missão"!

"A Casa Espírita"

A Casa Espírita não será um espaço físico destinado somente para reuniões de estudo.

Há de constituir-se um posto de trabalho da espiritualidade, um Templo Cristão para o aprendizado, a prática da caridade material e espiritual, utilizando-se de todos os meios possíveis.

Nesta oficina de labor em favor do próximo, estudaremos Kardec, Chico e Jesus.

Prestaremos serviços em favor do próximo e em nome do Cristo no nosso Templo de trabalho, preparando os voluntários para assumirem as seguintes tarefas: 

1- Plantão de Orientação -  Atendimento Fraterno que, sob a luz do Evangelho de Jesus e da Filosofia Espírita, orientará os atendidos em entrevista provendo o consolo na caridade espiritual.

2- Plantão de Consulta ao Consulente - Estarei, através da mediunidade de nosso irmão Luis Carlos, orientando e auxiliando nossos irmãos em diálogo pessoal, direcionando os necessários tratamentos na casa.

3- Plantão de Tratamentos - O voluntário deverá preparar-se através de cursos de formação ao trabalhador, onde utilizando-se inicialmente das práticas de passes espíritas, fluidoterapia e outros tratamentos que segundo as necessidades no tempo lhes serão orientados a realizarem.

4- Plantão de Estudos - Cursos da Doutrina Espírita, Estudo da Mediunidade, Estudo do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, Estudo da Obsessão e suas consequências e todas as terapias que lhes forem recomendadas para o tratamento dos pacientes. 

5- Plantão de Assistência Social -  Esse grupo deverá prestar o auxílio social incondicional a simpatizantes ou não da causa espírita, seguindo as diretrizes básicas do Evangelho.

6- S.O.L - Serviço Ostensivo da Luz - Esse grupo deverá visitar as famílias em seus lares, levando a mensagem do "Consolador Prometido."

Divulgaremos a Doutrina Espírita com o exemplo de nosso trabalho, prestando Assistência Espiritual, Assistência Social e Esforços na Melhora Pessoal.

A organização e direção serão divididas em duas, segundo as responsabilidades que lhes cabem:

1- Direção Espiritual - Será orientada através do Médium Responsável pela tarefa: Luis Carlos Okabayashi.

Estarei à frente, representando o corpo direcionador espiritual ligado à esta tarefa. Fica, portanto, estabelecido que serei o porta voz de toda orientação espiritual para esta casa, em particular.

Na impossibilidade do médium Luis Carlos Okabayashi, por qualquer motivo, de responder à essas orientações, poderá responder por elas, seu filho Marcos Hideo Okabayashi. (*Essa
orientação nos foi passada, por acréscimo, em 10-10-2014)

2- Direção Administrativa: Constituída por uma Diretoria.

São proibidas nela, as discussões de questões políticas, de economia ou de controvérsia religiosa. 

Todos os integrantes considerados trabalhadores desta causa, nesta casa, serão chamados "Plantonistas." 

Não haverá remuneração ou qualquer tipo de pagamento aos trabalhadores, pois serão voluntários da causa que abraçaram.

Para custear as despesas desta sociedade, seus integrantes poderão contribuir com mensalidades de manutenção.

Neste caso, será nomeado um tesoureiro que prestará contas da situação dos fundos arrecadados.

A caminhada do trabalhador Cristão é árdua e muitas vezes, cheia de espinhos.

"Vós estão sendo convidados, semelhantes aos tarefeiros "Bandeirantes do Brasil, mas, desta vez, em busca de um tesouro maior."

A semear em nova oportunidade as verdades do Cristo no Japão, uma vez que vossos espíritos estão comprometidos com os erros de encarnações passadas nessa Terra.

Impedindo que os missionários Jesuítas, na época de Francisco Xavier, pudessem plantar essa mesma semente: " O Evangelho de Jesus Cristo"


Contudo, na bênção da Providência Divina, eis que vos é dada uma nova oportunidade!

Deverão abrir um caminho com sacrifícios e renúncias pessoais.

Nos vícios de vaidade e orgulho encontrarão os inimigos do Cristianismo entre vós, semeando discórdias e desuniões entre seus irmãos.

Será um caminho árduo onde encontrarão como maior dificuldade, a formação do trabalhador para a tarefa.

Vos recomendo a refletir nas palavras do Mestre Jesus Cristo:

"O Trabalhador da Causa de Jesus"

"Vós sois o sal da terra. Mas se ele perder a força, com que há de salgar-se? Vós sois a luz do mundo. Não se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Assim, deve brilhar a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus".

"O Maior entre Vós"

 "Não será assim entre vós. Ao contrário, quem desejar ser importante entre vós será esse o que deva servir aos demais".

"Trabalhemos na causa de Jesus aprendendo a nos amar, exercitando, primeiramente, através do respeito mútuo onde acreditamos ser o primeiro exercício para a verdadeira prática da caridade moral".

Assim, como os novos Jesuítas.

Abracem a causa Cristã, tenham fé e a certeza de que o Cristo estará conosco!

Que Jesus Cristo nos ampare os corações, e nos guie com sua luz de verdades!


(mensagem de Dr. Romano, recebida pelo médium Luis Carlos Okabayashi em 15 de novembro de 1993)

"Entendemos, finalmente, que no astral, a espiritualidade divide-se em FRATERNIDADES e não RELIGIÕES.
São formadas por espíritos dos mais diversos graus de conhecimento intelectual e condição moral.
Trabalham para um propósito maior em favor de todos"

1.11 Decadência das Religiões Contemporâneas


Pesquisas realizadas no mundo todo sobre religiões, resultam no aumento do número de ateus e agnósticos.

Estamos assistindo a Decadência das Religiões ou mais precisamente, a Decadência das Igrejas.

Muitas pessoas tem desacreditado nas igrejas, pois a maioria virou empresas, verdadeiras fábricas de dinheiro e patrimônio.

Eles interpretam a bíblia em beneficio próprio, principalmente na questão do dízimo.
Usam aparatos estéticos, shows, cantores, bem vestidos, recursos tecnológicos para envolver as pessoas.

Esse universo de descrentes em religiões estão se dando conta que algumas praticam farsas e que religião não salva!

Haverá falsos Cristos e falsos profetas: O Evangelho Segundo o Espiritismo, c.21, it. 1 a 11

A palavra RELIGIÃO, deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação" com o Divino.

Essa definição engloba qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras Doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo Metafísico, ou seja, de além do mundo físico.

Não há registro em qualquer estudo por parte da História, Antropologia, Sociologia ou qualquer outra "ciência" social", de um agrupamento humano, em qualquer época, que não tenha professado algum tipo de "crença religiosa".

Se o Espiritismo fosse mais uma religião perderia o seu carácter Universalista, Allan Kardec sabia que haveria divergências, cisões, por isso redigiu o Projeto 1868 e delineou rumos seguros à organização do Espiritismo como Movimento Social.

O Espiritismo nasce, justamente, em pleno surgimento da modernidade, em meio à crise das religiões, ou agonia das religiões como nos mostra em seu livro "Agonia das Religiões – J.Herculano Pires."

E procura dar conta de questões onde as religiões não conseguiram, daí o esforço da espiritualidade maior em trazer através da codificação, obras que atendessem a essa demanda.

Não foi nenhum tipo de concessão e nem houve intenção de  fundar-se uma nova religião Cristã ou de instituir “A Religião”, em Espírito e Verdade.

Os livros codificados a partir de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, visam atender à necessidade de se vislumbrar, no próprio Cristianismo, elementos interpretativos fornecidos pelo Espiritismo, a partir não somente da experimentação, do empirismo no campo mediúnico, mas também em sua filosofia, na sua teoria de valores.

Neste mesmo livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” apresenta a máxima: "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO" O que é muito diferente de: "FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO."

Ele entendia, inclusive, que o Espiritismo teria a missão de oferecer às Religiões atuais, carregadas de mitologia e mística, a base empírica para seus dogmas e princípios de que ele funcionaria como elo, de religação entre a ciência e a religião.

"O Espiritismo não traz um nova religião, mas traz luz de verdades para uma Nova Era".

Vejamos em resumo a Doutrina do "Consolador Prometido"

"Com o Espiritismo, a humanidade deve entrar numa nova fase, a do progresso moral, que é sua consequência inevitável."
(O Livro dos Espíritos - Página 358)

"Nesse grande movimento regenerador, o Espiritismo tem um papel considerável, não o Espiritismo ridículo, inventado por uma crítica trocista, mas o Espiritismo filosófico, tal qual o compreende quem quer que se dê a pena de procurar a amêndoa dentro da casca. (...)

Não diz Fora do Espiritismo não há salvação, mas, como Cristo, Fora da caridade não há salvação, princípio de união, de tolerância, que ligará os homens num sentimento comum de fraternidade, em vez de os dividir em seitas inimigas.


Por este outro princípio, não há fé inabalável senão aquela que pode olhar a razão face a face em todas as idades da humanidade, destrói o império da fé cega, que aniquila a razão e da obediência passiva que embrutece; emancipa a inteligência do homem e levanta a sua moral."

(KARDEC, Allan. 1866)

"As revoluções morais, como as sociais, se infiltram pouco a pouco nas idéias, germinam durante séculos, explodem de repente e fazem desabar o edifício apodrecido do passado, que não está mais em harmonia com as novas necessidades e aspirações."
(O Livro dos Espíritos, Perg. 331)

"A Doutrina Espírita transforma completamente a perspectiva do futuro. A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática."
(O Céu e o Inferno, Primeira Parte, cap. 2)

"(...)o Espiritismo, restituindo ao Espírito o seu verdadeiro papel na criação, constatando a superioridade da inteligência sobre a matéria, apaga naturalmente todas as distinções estabelecidas entre os homens segundo as vantagens corpóreas e mundanas, sobre as quais o orgulho fundou castas e os estúpidos preconceitos de cor."
(Revista Espírita, 1861, pág. 297)

"A ciência e a religião são as duas alavancas da inteligência humana."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo)

"Se a religião recusa caminhar com a ciência, a ciência avança sozinha."
(A Gênese)

"Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ela a aceitará."
(Doutrina Espirita para Principiantes) 

"Onde quer que as minhas obras penetraram e servem de guia, o Espiritismo é visto sob o seu verdadeiro aspecto, isto é, sob um caráter exclusivamente moral"
(Doutrina Espirita para Principiantes) 

"A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se encontra."
(Doutrina Espirita para Principiantes) 

"Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz para dominar as más inclinações."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo)

2.0 - Etimologia e uso - O que é Doutrina Espírita e Doutrina Umbandista


O termo espiritismo (do francês antigo"spiritisme", onde "spirit": espírito + "isme": doutrina) surgiu como um neologismo, mais precisamente uma palavra-valise, criada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (conhecido por Allan Kardec) para nomear especificamente o corpo de ideias por ele codificadas em "O Livro dos Espíritos - 1857".

Contudo, a utilização do termo, cuja raiz é comum a diversas nações ocidentais de origem latina ou anglo-saxônica, fez com que ele fosse rapidamente incorporado ao uso cotidiano para designar tudo o que dizia respeito à alegada comunicação com os espíritos.

Assim, por Espiritismo, erroneamente, entendem-se hoje as várias doutrinas religiosas e/ou filosóficas que creem na sobrevivência dos espíritos após a morte do corpo (desencarne), e, principalmente, na possibilidade de se comunicar com eles, casual ou deliberadamente, via evocações mediúnicas e ou naturalmente através de sugestões intuídas por eles.

Essa apropriação do termo cunhado por Kardec, por parte de adeptos de outras tradições espiritualistas, é criticada pelos seguidores contemporâneos do pedagogo francês, que o reivindicam para designar a sua Doutrina específica a fim de não confundir ou ser generalizada.

O termo "kardecista" ficou popularizado, porém a Doutrina dos Espíritos é chamada pelos seus adeptos de "Espiritismo"  tal qual codificada por  Allan Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do Espiritismo, e denominam correntes diversas de "Espiritualistas".
Estes adeptos entendem que o Espiritismo, como corpo Doutrinário, é um só, o que tornaria redundante o uso do termo "Espiritismo Kardecista".

Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas, denominam-se simplesmente "Espíritas", sem o complemento "Kardecista".

A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como "Kardecista", definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o  Budismo, mas a uma coletividade de Espíritos que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava que continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo Doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo, o que não se teria verificado, já que as obras básicas teriam permanecido inalterados desde então.

José Lacerda de Azevedo, médico espírita brasileiro, compreendia o kardecismo como uma "prática ou tentativa de vivência da Doutrina Espírita" criada por brasileiros "permeada de religiosidade, com tendência a se transformar em crença ou seita”.

As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o "Espiritismo" (como originalmente definido por Kardec) dos erroneamente chamados de "cultos afro-brasileiros", como a Umbanda ou Umbandismo.

Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto intitular espíritas (em determinado momento com o apoio do sr. presidente Wantuil de Freitas da FEB - Federação Espírita do Brasil), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas Doutrinas.

Seguidores mais ortodoxos do Espiritismo, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo "Espírita Kardecista" para distingui-los dos que passaram a ser denominados como "Espíritas Umbandistas".

" Esclarecimento - A Umbanda não é uma religião afro-brasileira (trazida pelos escravos negros), como são as religiões do Candomblé de Nação praticado primeiramente na Bahia, ou do Omolokô que surgiu no Rio de Janeiro, ou do Batuque do Rio Grande do Sul e ainda doTambor de Mina, em Maranhão. É uma religião genuínamente nascida no Brasil com o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas na cidade do Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1908."


A Codificação Espírita é um legado de luz que vem esclarecer à toda comunidade, independente do segmento religioso a que pertençam. 

É por isso que Allan Kardec tomou o cuidado de não apresentá-la como religião, pois se assim o fizesse, ela ficaria restrita apenas a um grupo de pessoas.

2.1 DOUTRINA ESPÍRITA, não pode ser confundida com a prática da DOUTRINA UMBANDISTA


Esta última, tendo seus próprios fundamentos compilados pelo Espírito do CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, tendo sua data de fundação o advento dessa manifestação em 15 de Novembro de 1908 na cidade do Rio de Janeiro - Brasil.

O conteúdo filosófico legado por Allan Kardec, as bases Cristã religiosas, são também seguidas pela Doutrina de Umbanda, ensinada pelos Espíritos que se manifestam no Templo Umbandista.

Assim, as diferenças entre o Espiritismo e Umbandismo estão na forma exterior, já que a Umbanda adota o uso de imagens, símbolos, pontos cantados e riscados, práticas que não são realizadas na Doutrina Espírita.

Na atualidade, encontraremos muitos irmãos praticantes de ambos os seguimentos DOUTRINÁRIOS, sejam da Doutrina Espírita, sejam da Doutrina Umbandista.

Temos visto o grande esforço da espiritualidade em unir esforços em um propósito comum:

1- Prática incondicional da caridade. "Fora da Caridade Não há Salvação"

2- Reforma íntima do médium praticante.

Não existe MÉDIUM DE UMBANDA ou MÉDIUM DE ESPIRITISMO.

Existe uma única Palavra com peso e responsabilidades para o MÉDIUM, que é MEDIUNATO (Missão Providencial dos Médiuns).

Assim, não devemos nos preocupar tanto com as palavras, mas sim com a tarefa que nos cabe, na oportunidade que recebemos para servir em nossos mediunatos.

Fica aqui esclarecido que DOUTRINA ESPÍRITA e DOUTRINA UMBANDISTA são distintas apenas pela forma exterior como são praticadas.

E quanto à palavra ESPÍRITA, embora tanto o umbandista como o espírita possam utilizá-la, acreditamos que deveremos nos referir ao segmento doutrinário que fazemos parte.

Entendendo que a base filosófica, moral e científica para uma melhor interpretação e compreensão das relações com os espíritos através da mediunidade, bem como a própria mediunidade, nos é dada pelo Espiritismo.

"O Reformador", em sua edição de julho de 1953, pág. 149: "Baseados em Kardec, é nos lícito dizer: todo aquele que crê nas manifestações dos espíritos é espírita? Ora, o umbandista nelas crê. Logo, umbandista é espírita, mas nem todo espírita é umbandista porque nem todo espírita aceita práticas de Umbanda."

"O Espiritismo é uma Doutrina filosófica, de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pois vai ter as bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma, e a vida futura. Mas não é uma religião constituída, visto não ter culto, rito, templos e, entre os seus adeptos, nenhum recebeu nem tomou o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote".
(Allan Kardec, Obras Póstumas)

DOUTRINA ESPÍRITA - Espiritista ou simplesmente Espírita.

DOUTRINA UMBANDISTA - Umbandista.

"Pode-se, portanto, ser católico, ortodoxo ou romano, protestante, judeu, muçulmano, e crer nas manifestações dos espíritos, e ser, conseguintemente, espírita ou espiritista.

A prova é que o Espiritismo tem aderentes em todas as seitas." (Le Spiritisme à sa Plus Simple Expression, Allan Kardec , 150e mille, p. 15)

Em nosso templo de trabalho, em particular, NEC-J (Núcleo Espírita Cristão do Japão) e o NUC-J (Núcleo Umbandista Cristão do Japão) fomos orientados pelos mentores espirituais dos respectivos grupos da seguinte maneira, uma vez que ambos dividem o mesmo espaço físico de trabalho:

Dr. Romano (mentor espiritual da casa NEC-J)

"No Astral, nos unimos em fraternidades. São formadas por espíritos dos mais diversos graus de conhecimento intelectual e condição moral. Nos unimos para um propósito maior em favor de todos! Assim, imagine você que a Terra é um grande Hospital onde seu diretor é Jesus Cristo. Todos que quiserem servir nesse Hospital podem dizer, simplesmente, que são Cristãos. Entendamos que dentro de um Hospital não pode haver um único especialista. Todas as áreas de conhecimentos e recursos ali, serão utilizadas. Quanto à Umbanda, digamos que é um grande departamento de atendimento e socorro dentro desse Hospital."

Pai Benedito de Aruanda (mentor espiritual da casa NUC-J)

"Meu filho, enquanto estão discutindo o que é Umbanda ou o que é Espiritismo, o paciente necessitado já está esperando na porta da entrada. Não é melhor atende-lo em nome de Jesus Cristo? Do que vale vocês dizerem que são Umbandistas, ou Espíritas? Melhor nós nos preocuparmos com o coração, porque é dele que vai sair o remédio que cura com a fé e o amor, ou o que não vale nada, que só existe nas aparências. Ou seja, hipocrisia meu filho! Diga voce que é Umbandista ou Espírita, tanto faz, o importante é que se faça com a caridade bem sentida e com muita fé. Esse Pai Preto, espera que um dia os filhos possam dar-se as mãos para erguerem juntos uma única Bandeira. A da Caridade! Saravá todos os filhos de fé!"


2.2 Explicando o advento do CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS

Em fins do ano de 1908, uma família tradicional de Neves, Niterói-RJ, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspectos sobrenaturais: o jovem Zélio Fernandino de Moraes(foto da esquerda), que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar, certo dia ergueu-se do leito e declarou: “amanhã estarei curado”.
No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada lhe houvesse tolhido os movimentos.

Contava 17 anos de idade e preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha.

A medicina não soube explicar o que acontecera.

Os tios, de religião católica, colhidos de surpresa, nada puderam esclarecer a esse respeito.

Um amigo da família sugeriu então uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e superior a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem Zélio se levantou, dizendo: “aqui está faltando uma flor”, e saiu da sala indo ao jardim, voltando logo após com uma flor, que depositou no centro da mesa.

Esta atitude insólita causou quase que um tumulto.

Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos Médiuns Espíritas, espíritos que se diziam negros escravos e índios.

Foram convidados a se retirarem, advertidos de seu estado de atraso espiritual.

Novamente, uma força estranha dominou o jovem Zélio e ele falou, sem saber o que dizia.

Ouvia apenas a sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação daqueles espíritos e do por que em serem considerados atrasados apenas por encarnações passadas que revelavam.

Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: "Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados?

Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz?

(Nota:Jesuíta Frei Gabriel Malagrida, entrou para o seminário de Milão onde foi ordenado e professou na Companhia de Jesus em 1711.)

E qual o seu nome irmão?

E o espírito desconhecido falou: "Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou.

Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. 

E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O vidente retrucou: "Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto”?

Perguntou com ironia.

E o espírito já identificado disse: "cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na Rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar à hora marcada, 20h00min, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos. Às 20h00min, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social.

A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus Cristo.

O Caboclo das Sete Encruzilhadas estabeleceu as primeiras normas em que se processaria o culto.

Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual diárias, das 20h00min às 22h00min; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito.

Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.
Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar paralíticos.

Antes do término da sessão, manifestou-se um preto-velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas.

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na Rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc.
Vinham em busca de cura e ali eram confortados ou curados em nome de Jesus.

Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda.

Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo Orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda.

As agremiações ganharam os seguintes nomes:     Voltar para o ìndice

1 - Tenda Nossa Sra. da Guia - Durval de Souza - Rua Camerino, 59 - RJ
2 - Tenda Nossa Sra da Conceição - Leal de Souza
3 - Tenda Santa Bárbara - João Aguiar
4 - Tenda São Pedro - José Meireles
5 - Tenda Oxalá - Paulo Lavois - Av. Presidente Vargas, 2.567
6 - Tenda São Jorge - João Severino Ramos - Rua Dom Gerard, 45
7 - Tenda São Jerônimo - José Alvares Pessoa (Capitão Pessoa) - Rua Visconde de Itaboraí, 8 - RJ

A Tenda Nossa Sra. da Piedade funcionou em Neves. Em 1918 instalou-se na Rua Dom Gerard, 51

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica (MEDIUNATO) não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão.

Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou.

Ministros, industriais, e militares que recorriam a MEDIUNIDADE de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "Não os aceite. Devolva-os", ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo Espírita e de nomes de Santos Católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda.

O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais.

Dispensou os atabaques e as palmas, para que os encontros nas giras não incomodassem a vizinhança.

Também não seriam necessários os capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês.

As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta.

Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz.
Ei-la:                                                                          Voltar para o ìndice

"A Umbanda tem progredido e vai progredir. 
É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.

O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem.

É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro.

É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.

Umbanda é Humildade, Amor e Caridade – Esta a Nossa Bandeira!

Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.

Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18.

Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda.

A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim, o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.

Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou a Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.

Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar.

Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou a Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida.

Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, que têm em seus corações um grande amor pela Umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los.

Neste imóvel, localizado na rua Floriano Peixoto, nº 30,em Neves, Niterói – RJ iniciou-se a religião de Umbanda, onde, no dia 16 de novembro de 1908, o Caboclo das Sete Encruzilhadas anunciou o advento da única e genuína religião brasileira.

Cabana do Pai Antônio Neste espaço Umbandista, Zélio Fernandino de Moraes dava segmento aos trabalhos caritativos, através do iluminado e querido Preto Velho Pai Antônio.

Localizava-se em Boca do Mato, Distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ

3.0 - História do Espiritismo - Codificação da Doutrina




3.1 Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec 1804 - 1869) - Missão


Missão de Allan Kardec - "A missão dos reformadores está cheia de escolhos e de perigos e a tua é rude, disso te previno, porque é o mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar." - Espírito da Verdade (Obras Póstumas)

“Escrevo esta nota no dia 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada, e verifico que ela se realizou em todos os pontos, porque experimentei todas as vicissitudes que nela me foram anunciadas".

Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; têm sido publicados contra mim infames libelos; as minhas melhores instruções têm sido desnaturadas; tenho sido traído por aqueles em quem depositara confiança, e pago com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado serviços.

A Sociedade de Paris tem sido um contínuo foco de intrigas, urdidas por aqueles que se diziam a meu favor, e que, mostrando-se amáveis em minha presença, me detratavam na ausência.
Disseram que aqueles que adotavam o meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu arrecadava do Espiritismo.

Não mais tenho conhecido o repouso; mais de uma vez, sucumbi; sob o excesso do trabalho, tem-se-me alterado a saúde e comprometido a vida.

“Entretanto, graças à proteção e à assistência dos bons Espíritos, que sem cessar me têm dado provas manifestas de sua solicitude, sou feliz em reconhecer que não tenho experimentado um único instante de desfalecimento nem de desânimo, e que tenho constantemente prosseguido na minha tarefa com o mesmo ardor, sem me preocupar com a malevolência de que era alvo.

Segundo a comunicação do Espírito Verdade, eu devia contar com tudo isso, e tudo se verificou.” - Allan Kardec (Obras Póstumas)

3.2 Hippolyte Léon Denizard Rivail (Allan Kardec) - Biografia


Nascido em Lyon, a 3 de outubro de 1804, de uma família antiga que se distinguiu na magistratura e na advocacia, Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail) não seguiu essas carreiras. Desde a  juventude, sentiu-se inclinado ao estudo das ciências e da filosofia.

Educado na Escola de Pestalozzi, em Yverdun (Suíça), tornou-se um dos mais eminentes discípulos desse célebre professor e um dos zelosos propagandistas do seu sistema de educação, que tão grande influência exerceu sobre a reforma do ensino na França e na Alemanha.

Dotado de notável inteligência e atraído para o ensino, pelo seu caráter e pelas suas aptidões especiais, já aos catorze anos ensinava o que sabia àqueles dos seus condiscípulos que haviam aprendido menos do que ele. Foi nessa escola que lhe desabrocharam as idéias que mais tarde o colocariam na classe dos homens progressistas e dos livre-pensadores.

Nascido sob a religião católica, mas educado num país protestante, os atos de intolerância que por isso teve de suportar, no tocante a essa circunstância, cedo o levaram a conceber a ideia de uma reforma religiosa, na qual trabalhou em silêncio durante longos anos com o intuito de alcançar a unificação das crenças.

Faltava-lhe, porém, o elemento indispensável à solução desse grande problema.

O Espiritismo veio, a seu tempo, imprimir-lhe especial direção aos trabalhos.

Concluídos seus estudos, voltou para a França. Conhecendo a fundo a língua alemã, traduzia para a Alemanha diferentes obras de educação e de moral e, o que é muito característico, as obras de Fénelon, que o tinham seduzido de modo particular.

Era membro de várias sociedades sábias, entre outras, da Academia Real de Arras, que, em o concurso de 1831, lhe premiou uma notável memória sobre a seguinte questão: Qual o sistema de estudos mais de harmonia com as necessidades da época?

De 1835 a 1840, fundou, em sua casa, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química, Física, Anatomia comparada, Astronomia, etc., empresa digna de encômios em todos os tempos, mas, sobretudo, numa época em que só um número muito reduzido de inteligências ousava enveredar por esse caminho.

Preocupado sempre com o tornar atraentes e interessantes os sistemas de educação, inventou, ao mesmo tempo, um método engenhoso de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França, tendo por objetivo fixar na memória as datas dos acontecimentos de maior relevo e as descobertas que iluminaram cada reinado.
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Entre as suas numerosas obras de educação, citaremos as seguintes: Plano proposto para melhoramento da Instrução pública (1828); Curso prático e teórico de Aritmética, segundo o método Pestalozzi, para uso dos professores e das mães de família (1824); Gramática francesa clássica (1831); Manual dos exames para os títulos de capacidade; Soluções racionais das questões e problemas de Aritmética e de Geometria (1846); Catecismo gramatical da língua francesa (1848); Programa dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia, Fisiologia, que ele professava no Liceu Polimático; Ditados normais dos exames da Municipalidade e da Sorbona, seguidos de Ditados especiais sobre as dificuldades ortográficas (1849), obra muito apreciada na época do seu aparecimento e da qual ainda recentemente eram tiradas novas edições.

Antes que o Espiritismo lhe popularizasse o pseudônimo de Allan Kardec, já ele se ilustrara, como se vê, por meio de trabalhos de natureza muito diferente, porém tendo todos, como objetivo, esclarecer as massas e prendê-las melhor às respectivas famílias e países.

Pelo ano de 1855, posta em foco a questão das manifestações dos Espíritos, Allan Kardec se entregou a observações perseverantes sobre esse fenômeno, cogitando principalmente de lhe deduzir as conseqüências filosóficas.

Entreviu, desde logo, o princípio de novas leis naturais: as que regem as relações entre o mundo visível e o mundo invisível. Reconheceu, na ação deste último, uma das forças da Natureza, cujo conhecimento haveria de lançar luz sobre uma imensidade de problemas tidos por insolúveis, e lhe compreendeu o alcance, do ponto de vista religioso.

Suas obras principais sobre esta matéria são: O Livro dos Espíritos, referente à parte filosófica, e cuja primeira edição apareceu a 18 de abril de 1857; O Livro dos Médiuns, relativo à parte experimental e científica (janeiro de 1861); O Evangelho segundo o Espiritismo, concernente à parte moral (abril de 1864); O Céu e o Inferno, ou A justiça de Deus segundo o Espiritismo (agosto de 1865); A Gênese, os Milagres e as Predições (janeiro de 1868); A Revista Espírita, jornal de estudos psicológicos, periódico mensal começado a 1º de janeiro de 1858. Fundou em Paris, a 1º de abril de 1858, a Primeira Sociedade Espírita regularmente constituída, sob a denominação de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, cujo fim exclusivo era o estudo de quanto possa contribuir para o progresso da nova ciência. Allan Kardec se defendeu, com inteiro fundamento, de coisa alguma haver escrito debaixo da influência de idéias preconcebidas ou sistemáticas. Homem de caráter frio e calmo, observou os fatos e de suas observações deduziu as leis que os regem. Foi o primeiro a apresentar a teoria relativa a tais fatos e a formar com eles um corpo de doutrina, metódico e regular.

Demonstrando que os fatos erroneamente qualificados de sobrenaturais se acham submetidos a leis, ele os incluiu na ordem dos fenômenos da Natureza, destruindo assim o último refúgio do maravilhoso e um dos elementos da superstição.

Durante os primeiros anos em que se tratou de fenômenos espíritas, estes constituíram antes objeto de curiosidade, do que de meditações sérias. O "Livro dos Espíritos" fez que o assunto fosse considerado sob aspecto muito diverso. Abandonaram-se as mesas girantes, que tinham sido apenas um prelúdio, e começou-se a atentar na doutrina, que abrange todas as questões de interesse para a Humanidade.                                                   Voltar para o ìndice

Data do aparecimento de "O Livro dos Espíritos" a fundação de Espiritismo que, até então, só contara com elementos esparsos, sem coordenação, e cujo alcance nem toda gente pudera apreender.

A partir daquele momento, a Doutrina prendeu a atenção de homens sérios e tomou rápido desenvolvimento. Em poucos anos, aquelas ideias conquistaram numerosos aderentes em todas as camadas sociais e em todos os países.

Esse êxito sem precedentes decorreu sem dúvida da simpatia que tais idéias despertaram, mas também é devido, em grande parte, à clareza com que foram expostas e que é um dos característicos dos escritos de Allan Kardec.

Evitando as fórmulas abstratas da Metafísica, ele soube fazer que todos o lessem sem fadiga, condição essencial à vulgarização de uma ideia. Sobre todos os pontos controversos, sua argumentação, de cerrada lógica, poucas ensanchas oferece à refutação e predispõe à convicção.

 As provas materiais que o Espiritismo apresenta da existência da alma e da vida futura tendem a destruir as idéias materialistas e panteístas.

Um dos princípios mais fecundos dessa Doutrina e que deriva do precedente é o da pluralidade das existências, já entrevisto por uma multidão de filósofos antigos e modernos e, nestes últimos tempos, por João Reynaud, Carlos Fourier, Eugênio Sue e outros.

Conservara-se, todavia, em estado de hipótese e de sistema, enquanto o Espiritismo lhe demonstrara a realidade e prova que nesse princípio reside um dos atributos essenciais da Humanidade.

Dele promana a explicação de todas as aparentes anomalias da vida humana, de todas as desigualdades intelectuais, morais e sociais, facultando ao homem saber donde vem, para onde vai, para que fim se acha na Terra e por que aí sofre.

As ideias inatas se explicam pelos conhecimentos adquiridos nas vidas anteriores; a marcha dos povos e da Humanidade, pela ação dos homens dos tempos idos e que revivem, depois de terem progredido; as simpatias e antipatias, pela natureza das relações anteriores.

Essas relações, que religam a grande família humana de todas as épocas, dão por base, aos grandes princípios de fraternidade, de igualdade, de liberdade e de solidariedade universal, as próprias leis da Natureza e não mais uma simples teoria.

Em vez do postulado: Fora da Igreja não há salvação, que alimenta a separação e a animosidade entre as diferentes seitas religiosas e que há feito correr tanto sangue, o Espiritismo tem como divisa: Fora da Caridade não há salvação, isto é, a igualdade entre os homens perante Deus, a tolerância, a liberdade de consciência e a benevolência mútua.

Em vez da fé cega, que anula a liberdade de pensar, ele diz: Não há fé inabalável, senão a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade.

 A fé, uma base se faz necessária e essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se tem de crer. Para crer, não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é para este século.                             Voltar para o ìndice

É precisamente ao dogma da fé cega que se deve o ser hoje tão grande o número de incrédulos, porque ela quer impor-se e exige a abolição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio.

Trabalhador infatigável, sempre o primeiro a tomar da obra e o último a deixá-la, Allan Kardec sucumbiu, a 31 de março de 1869, quando se preparava para uma mudança de local, imposta pela extensão considerável de suas múltiplas ocupações.

Diversas obras que ele estava quase a terminar, ou que aguardavam oportunidade para vir a lume, demonstrarão um dia, ainda mais, a extensão e o poder das suas concepções.

Morreu conforme viveu: trabalhando. Sofria, desde longos anos, de uma enfermidade do coração que só podia ser combatida por meio do repouso intelectual e pequena atividade material. Consagrado, porém, todo inteiro à sua obra, recusava-se a tudo o que pudesse absorver um só que fosse de seus instantes, à custa das suas ocupações prediletas. Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha.

O corpo se lhe entorpecia e se recusava aos serviços que o espírito lhe reclamava, enquanto este último, cada vez mais vivo, mais enérgico, mais fecundo, ia sempre alargando o círculo de sua atividade.

Nessa luta desigual não podia a matéria resistir eternamente.

Acabou sendo vencida: rompeu-se o aneurisma e Allan Kardec caiu fulminado.

Um homem houve de menos na Terra; mas, um grande nome tomava lugar entre os que ilustraram este século; um grande Espírito fora retemperar-se no Infinito, onde todos os que ele consolara e esclarecera lhe aguardavam impacientemente a volta!

A morte, dizia, faz pouco tempo, redobra os seus golpes nas fileiras ilustres!... A quem virá ela agora libertar?                                        Voltar para o ìndice

Ele foi, como tantos outros, recobrar-se no Espaço, procurar elementos novos para restaurar o seu organismo gasto por um vida de incessantes labores. Partiu com os que serão os fanais da nova geração, para voltar em breve com eles a continuar e acabar a obra deixada em dedicadas mãos.

O homem já aqui não está; a alma, porém, permanecerá entre nós.

 Será um protetor seguro, uma luz a mais, um trabalhador incansável que as falanges do Espaço conquistaram.

Como na Terra, sem ferir a quem quer que seja, ele fará que cada um lhe ouça os conselhos oportunos; abrandará o zelo prematuro dos ardorosos, amparará os sinceros e os desinteressados e estimulará os mornos.

Vê agora e sabe tudo o que ainda há pouco previa! Já não está sujeito às incertezas, nem aos desfalecimentos e nos fará partilhar da sua convicção, fazendo-nos tocar com o dedo a meta, apontando-nos o caminho, naquela linguagem clara, precisa, que o tornou aureolado nos anais literários.

Já não existe o homem, repetimo-lo. Entretanto, Allan Kardec é imortal e a sua memória, seus trabalhos, seu Espírito estarão sempre com os que empunharem forte e vigorosamente o estandarte que ele soube sempre fazer respeitado.

Uma individualidade pujante constituiu a obra. Era o guia e o fanal de todos. Na Terra, a obra subsistirá o obreiro.

Os crentes não se congregarão em torno de Allan Kardec; congregar-se-ão em torno do Espiritismo, tal como ele o estruturou e, com os seus conselhos, sua influência, avançaremos, a passos firmes, para as fases ditosas prometidas à Humanidade regenerada.
Texto extraído de Obras Póstumas



3.3 Allan Kardec - O Estudo dos Fenômenos Mediúnicos e a Codificação do Espiritismo


Durante o século XIX, houve uma grande onda de manifestações mediúnicas nos Estados Unidos e na Europa.

Estas manifestações consistiam, principalmente, de ruídos estranhos, pancadas em móveis e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa aparente.
As irmãs Fox.
Da esquerda para a direita:
 Margaret, Kate e Leah.



Em 1854, através de um amigo chamado Fortier, o professor Denizard (Allan Kardec) ouve falar pela primeira vez sobre os fenômenos das mesas girantes, em moda nos salões europeus, desde a explosão dos fenômenos espíritas em 1848, na cidadezinha de Hydesville nos Estados Unidos, com as irmãs Fox.

No ano seguinte, se interessou mais pelo assunto, pois soube tratar-se de intervenção dos Espíritos, informação dada pelo Sr. Carlotti, seu amigo há 25 anos.

Depois de algum tempo, em maio de 1855, ele foi convidado para participar de uma dessas reuniões, pelo Sr. Pâtier, um homem muito sério e instruído.

O professor era um grande estudioso do magnetismo e aceitou participar, pensando tratar-se de fenômenos ligados ao assunto.

Após algumas sessões, começou a questionar para descobrir uma resposta lógica que pudesse explicar o fato de objetos inertes emitirem mensagens inteligentes.

Admirava-se com as manifestações, pois parecia-lhe que por detrás delas havia uma causa inteligente responsável pelos movimentos.

Resolveu investigar, pois desconfiou que atrás daqueles fenômenos estava como que a revelação de uma nova lei.

As "forças invisíveis" que se manifestavam nas sessões de mesas falantes diziam que eram as almas de homens que já haviam vivido na Terra.

O Codificador intrigava-se mais e mais.

 Num desses trabalhos, uma mensagem foi destinada especificamente a ele.

Um Espírito chamado Verdade disse-lhe que tinha uma importante missão a desenvolver.

Daria vida a uma nova doutrina filosófica, científica e religiosa.

Kardec afirmou que não se achava um homem digno de uma tarefa de tal envergadura, mas que sendo o escolhido, tudo faria para desempenhar com sucesso as obrigações de que fora incumbido.

Allan Kardec iniciou sua observação e estudo dos fenômenos espíritas, com o entusiasmo próprio das criaturas amadurecidas e racionais, mas sua primeira atitude é a de ceticismo: "Eu crerei quando vir, e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, deem-me a permissão de não enxergar nisso mais que um conto para provocar o sono."

Depois da estranheza e da descrença inicial, Rivail começa a cogitar seriamente na validade de tais fenômenos e continua em seus estudos e observações, mais e mais convencido da seriedade do que estava presenciando.                                                 Voltar para o ìndice

Eis o que ele nos relata: "De repente, encontrava-me no meio de um fato esdrúxulo, contrário, à primeira vista, às leis da natureza, ocorrendo em presença de pessoas honradas e dignas de fé. Mas a ideia de uma mesa falante ainda não cabia em minha mente."

O desenvolvimento da Codificação Espírita, basicamente, teve início na residência da família Baudin, no ano de 1855. Na casa havia duas moças que eram médiuns. Tratava-se de Julie e Caroline Baudin, de 14 e 16 anos, respectivamente.

Através da "cesta-pião", um mecanismo parecido com as mesas girantes, Kardec fazia perguntas aos espíritos desencarnados, que as respondiam por meio da escrita mediúnica.

À medida que as perguntas do professor iam sendo respondidas, ele percebia que ali se desenhava o corpo de uma doutrina e se preparou para publicar o que mais tarde se transformou na primeira obra da Codificação Espírita.

A forma pela qual os Espíritos se comunicavam no princípio era através da cesta-pião que tinha um lápis em seu centro.

As mãos das médiuns eram colocadas nas bordas, de forma que os movimentos involuntários, provocados pelos Espíritos, produzissem a escrita.

Com o tempo, a cesta foi substituída pelas mãos dos médiuns, dando origem à conhecida psicografia.

Das consultas feitas aos Espíritos, nasceu "O Livro dos Espíritos", lançado em 18 de abril de 1857, descortinando para o mundo todo um horizonte de possibilidades no campo do conhecimento.

Galeria de Valois, no Palais Royal,
 local de lançamento de
O Livros dos Espíritos em 18 de abril 1857





3.4 Surgia aí, a Doutrina dos Espíritos, sistematizada na primeira edição de "O Livro dos Espíritos"


A partir daí, Allan Kardec dedicou-se intensivamente ao trabalho de expansão e divulgação da Boa Nova. Viajou 693 léguas, visitou vinte cidades e assistiu mais de 50 reuniões doutrinárias de Espiritismo.

Pelo seu profundo e inexcedível amor ao bem e à verdade, Allan Kardec edificou para todo o sempre o maior monumento de sabedoria que a Humanidade poderia ambicionar, desvendando os grandes mistérios da vida, do destino e da dor, pela compreensão racional e positiva das múltiplas existências, tudo à luz meridiana dos postulados do Cristianismo.

Filho de pais católicos, Allan Kardec foi criado no Protestantismo, mas não abraçou nenhuma dessas religiões, preferindo situar-se na posição de livre pensador e homem de análise.

Compungia-lhe a rigidez do dogma que o afastava das concepções religiosas. O excessivo simbolismo das teologias e ortodoxias, tornava-o incompatível com os princípios da fé cega.

Situado nessa posição, em face de uma vida intelectual absorvente, foi o homem de ponderação, de caráter ilibado e de saber profundo, despertado para o exame das manifestações das chamadas mesas girantes.

A esse tempo o mundo estava voltado, em sua curiosidade, para os inúmeros fatos psíquicos que, por toda a parte, se registravam e que, pouco depois, culminaram no advento da altamente consoladora doutrina que recebeu o nome de Espiritismo, tendo como seu codificador, o educador emérito e imortal de Lyon.

O Espiritismo não era, entretanto, criação do homem e sim uma revelação divina à Humanidade para a defesa dos postulados legados pelo Rabi da Galileia, numa quadra em que o materialismo avassalador conquistava as mais brilhantes inteligências e os cérebros proeminentes da Europa e das Américas.

A Codificação da Doutrina Espírita colocou Kardec na galeria dos grandes missionários e benfeitores da Humanidade.

A sua obra é um acontecimento tão extraordinário como a Revolução Francesa.

Esta estabeleceu os direitos do homem dentro da sociedade, aquela instituiu os liames do homem com o universo, deu-lhe as chaves dos mistérios que assoberbavam os homens, dentre eles o problema da chamada morte, os quais até então não haviam sido equacionados pelas religiões.

A missão do mestre, como havia sido prognosticada pelo Espírito de Verdade, era de escolhos e perigos, pois ela não seria apenas de codificar, mas principalmente de abalar e transformar a Humanidade.

A missão foi-lhe tão árdua que, em nota de 1o. de janeiro de 1867, Kardec referia-se as ingratidões de amigos, a ódios de inimigos, a injúrias e a calúnias de elementos fanatizados. Entretanto, ele jamais esmoreceu diante da tarefa.

Pessoalmente convencido não só da realidade do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das mistificações existentes, mas também acreditando que eles eram realmente causados por influência de espíritos, Rivail  passou a promover novos métodos de estudo para a identificação deste e outros fenômenos do tipo mas sagrou-se, principalmente, a divulgar suas concepções sobre consequências ético-morais a eles relacionadas.
Como chegou a afirmar, "O verdadeiro Espírita não é aquele que crê nas manifestações, mas aquele que aproveita o ensinamento dado pelos Espíritos. De nada serve crer, se a crença não o faz dar um passo à frente no caminho do progresso, e não o torna melhor para o seu próximo".


4.0 - PERÍODOS ESPÍRITAS


Na Revue Spirite de 1863, pp. 377/379, Allan Kardec tece considerações a respeito dos períodos vividos ou a serem vividos pelo Espiritismo, e os nomeia nessa ordem: o da curiosidade, o filosófico, o da luta, o religioso, o intermediário (que na época própria ganharia nome) e, finalmente, o da renovação social.
Eis o que ele escreveu quanto à passagem do terceiro até o sexto período:
"A luta determinará uma nova fase do Espiritismo e conduzirá ao quarto período, que será o período religioso; depois virá o quinto, período intermediário, consequência natural do precedente, e que receberá mais tarde a sua denominação característica. O sexto e último período será o de renovação social, que abrirá a era do século XX."

Na colocação dessas fases do Movimento Espírita, não deixa dúvida de que o missionário foi altamente inspirado pelo Espírito da Verdade, mas cremos que ele, Kardec, apressou-se por conta própria, em fixar o tempo para cada um dos períodos.

Aliás, quando Jesus anunciou a vinda do Consolador, também julgaram que tal acontecimento se daria num tempo bem próximo àquela época, achando alguns que a promessa se cumprira no dia de Pentecostes. No entanto, só no século XIX, ele, o Consolador prometido, desceria até nós, para restabelecer e explicar-nos todas as coisas.

Na verdade, estamos agora vivendo o período religioso do Espiritismo, máxime do Brasil, onde, faz mais de cem anos, "os verdadeiros espíritas, ou melhor, os espíritas cristãos", o tem apresentado qual ele é, na sua mensagem cristã e renovadora do espírito humano.

Talvez já se avizinhe o período intermediário, que será, como esclarece o Codificador "consequência natural do precedente" e, a nosso ver, deverá levar o homem a um novo passo no conhecimento de si mesmo e do chamado mundo invisível, a evidenciar para materialistas e negativistas empedernidos o princípio fundamental em torno do qual gira o nosso destino: Deus e a imortalidade da alma.

Em "Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo", inserto em Obras Póstumas, o Codificador houve por bem deixar para a nossa meditação esse trecho bastante significativo:
"O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote."

Na Revue Spirite, 1864, p. 199, escreveu Allan Kardec:"Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o clero? Onde se viu, até o presente, o culto e os sacerdotes do Espiritismo? Se algum dia ele se tornar uma religião, o clero é quem o terá provocado.
(Allan Kardec - Pesquisa Bibliográfica e Ensaios de Interpretação - Zeus Vantuil e Francisco Thiesen - FEB)

5.0 - ALLAN KARDEC E O BRASIL


Cremos que 1864 é o ano que pela primeira vez aparece citado na Revue Spirite o nome da então capital brasileira : Rio de Janeiro. Trata-se de um artigo publicado na seção "Crônicas de Paris", no "Jornal do Comércio", do Rio, de 23 de setembro de 1863.

Seu autor começa falando dos espetáculos fantasmagóricos que se tornaram populares nos teatros de Paris e, em seguida, passa a tecer comentários em torno do Espiritismo.

Allan Kardec limita-se a mostrar que o autor do artigo não se aprofundou no estudo do Espiritismo, de cuja parte teórica ignora os processos.

Elogia-lhe, porém, o comportamento sensato diante dos fatos, para a explicação dos quais não levantara teorias temerárias. "Pelo menos" - escreve Kardec - "ele não julga pelo que não sabe."

Ao final do seu breve comentário, assim se expressava o mestre (Revue Spirite, julho de 1864, p. 213): "Verificamos, com satisfação que a ideia espírita faz progressos sensíveis no Rio de Janeiro, onde ela conta com numerosos representantes, fervorosos e devotados. A pequena brochura "Le Spiritisme à sa plus simple expression", publicada em língua portuguesa, contribuiu, não pouco, para ali espalhar os verdadeiros princípios da Doutrina."

Sob o título - "O Espiritismo no Brasil", o Codificador dá a saber a seus leitores da Revue que o "Diário da Bahia" de 26 e 27 de setembro de 1865 contém dois artigos, que são a tradução, em português dos que foram publicados, havia seis anos, pelo Dr. Amédée Déchambre (1812 - 1885), autor do importante "Dictionnaire des sciences médicales", artigos em que o autor fizera uma exposição semiburlesca.

Entre outras coisas, dizia o ilustre médico que o fenômeno das mesas girantes e falantes é falado por Teócrito (poeta grego, 300 -250 a.C), daí concluindo que não sendo novo esse fenômeno não tinha ele nenhum fundo de realidade.

 "Lamentamos que a erudição do Sr. Déchambre" - comentou Kardec -, "não lhe tenha permitido ir mais longe, porque teria encontrado o fenômeno no antigo Egito e nas Índias." (Pp. 334/335)

Os Espíritas da Bahia refutaram esses artigos no próprio "Diário da Bahia", no número de 28 de setembro.

A carta que antecedeu a refutação, dirigida à redação da folha baiana e assinada por Luiz Olímpio Teles de Menezes, José Álvarez do Amaral e Joaquim Carneiro de Campos, parece fazer supor que o referido jornal só publicara o trabalho do Dr. Déchambre por julgar houvesse nele apreciação exata da Doutrina Espírita.

A refutação consistiu num extrato, bastante extenso, da introdução de "O Livro dos Espíritos", o que fez Kardec dizer: "As citações textuais das obras espíritas são, com efeito, a melhor refutação às desfigurações que certos críticos fazem sofrer a Doutrina." (P.336.)
(Allan Kardec - Pesquisa Bibliográfica e Ensaios de Interpretação - Zêus Vantuil e Francisco Thiesen - FEB)


6.0 - FRATERNIDADES DO ESPAÇO



6.1 As Fraternidades do Espaço


No Plano Espiritual, as entidades agrupam-se por afinidades morais e vibratórias, isto é, segundo condições evolutivas significando, para umas, escravização e temores e, para outras, as mais evoluídas, ordem, disciplina, responsabilidades, unidade de sentimentos e participação.


Em sentido geral na Terra, em esferas inferiores, o que caracteriza as agremiações é a arbitrariedade dos chefes, o intelecto, os pendores psíquicos, em escala sempre degradante, isto é, quanto mais poder e mais prestígio individual tanto mais violência, mais astúcia, mais impiedade; ao contrário do que ocorre nas esferas mais elevadas, onde a predominância é dos valores positivos da paz, da bondade, do respeito mútuo, da pureza, do idealismo, do amor, enfim, que fazem ascender para Deus, o Criador Supremo.


No etéreo terrestre, zona mais vizinha dos encarnados, unem-se entidades retardadas, interessadas em intercâmbio variado: cármico, passionais, religiosos, promovendo interferências constantes na vida dos encarnados, para satisfação de interesses até mesmo políticos, de programas escusos, visando dominações maiores ou menores, segundo convenha.


Em nosso País, ultimamente, as interferências têm visado a implantação de ideologias alienígenas.


No umbral inferior, agremiam-se organizações trevosas, formadas por Espíritos maléficos e ignorantes com atividades muitas vezes tenebrosas, individuais ou coletivas.


Partem da subcrosta e da crosta terrestre e insinuam-se em todas as camadas sociais, sob a direção de chefes impiedosos e temidos; muito diferente das organizações voltadas ao Bem, que agem nas esferas mais elevadas e são coesas, disciplinadas, moralizadas e idealistas, dirigidas por Espíritos altamente responsáveis, que se aproximam da Terra para desempenho de atividades benéficas de auxílio, proteção, orientação pessoal e coletiva.


Nas aberturas mais amplas e benéficas que foram dadas ao movimento espírita a partir de 1940 na Federação Espírita do Estado de São Paulo, grande espaço foi atribuído às escolas e cursos os mais variados, ao mesmo tempo em que os trabalhos práticos foram revistos, atualizados, desdobrados e popularizados o mais possível, para se recuperar o largo tempo perdido em inoperâncias administrativas e estagnações doutrinárias, ao mesmo tempo em que se procurava e se efetivava a unidade de práticas.


Nesse período, algumas Fraternidades Espirituais prestaram valiosa cooperação e seu número, com o passar do tempo, foi aumentando de forma que em 1967, quando essa fase de organização, unificação e atualização se encerrou, eram elas mais de duas dezenas, todas devidamente apresentadas, identificadas e registradas para efeito de ordem e autenticidade funcional.


O início das aproximações se deu nos primeiros meses de 1940, quando o Plano Espiritual Superior atribuiu a um pequeno grupo de entidades a tarefa de auxiliar a Casa (Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP) na implantação de um programa doutrinário mais avançado, entidades essas que vieram formar a Fraternidade do Santo Sepulcro, em memória aos esforços de libertação da Palestina do jugo muçulmano, movimento esse que na história do mundo recebeu o nome de “Cruzadas”.


Em 1942, formou-se um grupo de médiuns sob a designação de “Grupo Razin”, em homenagem a seu patrono espiritual que dirigia a Fraternidade Espiritual sob o mesmo nome e cujo símbolo era um trevo de três folhas; e em 1950, logo após a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, criou-se a Fraternidade dos Discípulos de Jesus, que adotou o mesmo símbolo e, à medida que a Casa crescia e se expandia, foram se agremiando em torno todas as que se apresentavam oferecendo colaboração.


A orientação evangélica da Casa, a criação dessa Escola de Aprendizes e da Escola de Médiuns, e a ampla abertura dos atendimentos a necessitados, foram alicerces seguros da consolidação da Casa, seu engrandecimento e sua projeção considerável no conceito público do Estado e do País e justamente os motivos da aproximação e da colaboração ampla e espontânea dessas Fraternidades do Espaço.


Dentre estas podemos citar:


A dos Cruzados, dos Essênios, da Rosa Mística do Calvário, da Corrente Hindu, do Triângulo e da Cruz, dos Irmãos Humildes (que englobava os médicos e enfermeiros); dos Irmãos da China, do Egito, do Tibete, do México, dos Filhos do Deserto, dos Irmãos da Esperança e várias outras, além do Trevo já citada (na sua contraparte encarnada)cada qual com sua própria especialização de trabalho, o que foi de grande proveito para os atendimentos aos necessitados, o encaminhamento escolar e outras atividades próprias de uma Casa de grande movimento como a Federação.


Ao critério de alguns confrades pode parecer estranha e demagógica uma organização destas, uma inovação não aceitável, face aos cânones oficiais, se pode assim dizer, da movimentação doutrinária; mas este não é o pensamento de milhares de trabalhadores e freqüentadores que se beneficiaram dela, nem o é do próprio Plano Superior, sob cuja orientação espiritual, benévola e ativa, a Casa criou-se, organizou-se, expandiu-se e se fez um inegável expoente do Espiritismo no Brasil.


A atividade espiritual, desembaraçada de peias e preconceitos, toma muitas vezes aspectos diferentes daqueles que estamos acostumados a ver, mas parafraseando notável Instrutor desencarnado, “o pensamento de Deus não é o pensamento dos homens, nem os mesmos são os seus caminhos”.

Edgard Armond - Vivência do Espiritismo Religioso – Editora Aliança



6.2 As Fraternidades reunidas para auxiliar as Casas Espíritas


No livro "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", psicografado por Francisco Cândido Xavier, a seguinte frase de Jesus para Ismael:

“(...) Reúne as incansáveis falanges do infinito, que cooperam nos ideais da minha doutrina, e inicia já a construção da Pátria do meu ensinamento (...)”.


Estas “incansáveis falanges” são sem dúvida os Grupos Fraternais, que só se tornariam conhecidos no momento em que as criaturas, tendo tomado contato com a doutrina do Consolador Prometido, pudessem compreender a grandiosidade da tarefa de Evangelização Doutrinária, conferida às Casas Espíritas. 


Desde os tempos mais longínquos, as criaturas guardam em seus corações a certeza de que, como seres imortais, ao deixarem seus corpos, suas almas encontrarão abrigo entre o céu e a terra.
Para os nativos de Bornéu (ilha da Indonésia), a “Verdadeira Aldeia” não é a terrestre, é a “Batu Nin Dana Farong”, no espaço entre o céu e a terra.

Para eles não há morte, é simplesmente devolver o corpo ao seu elemento e “Voltar para Casa”. 

No início de 1900, o Reverendo G. Vale Owen, vigário de Orford, Lancashire, publica as comunicações de sua mãe, falando das cidades espirituais, suas casas seus instrutores e como os desencarnados são orientados para ajudar os encarnados a caminhar em busca do Bem. 

Em 1944, chega até nós o livro "Os Mensageiros(2)", de André Luiz.

No capítulo 18, Aniceto, visitando Campo de Paz, ouve de Alfredo as seguintes frases: “As colônias espirituais na Europa, mormente as de nosso nível (Posto de Socorro), estão sofrendo amargamente para atenderem às necessidades gerais.

Já começamos a receber grandes massas de desencarnados em consequência dos bombardeios.”

Mais adiante: “Os Postos de Socorro de várias colônias, ligadas a nós, estão superlotados de europeus desencarnados violentamente.”

Mais adiante ainda, continua: “Depois de reiteradas assembleias dos nossos Mentores Espirituais, resolveu-se providenciar a remoção de pelo menos cinquenta por cento dos desencarnados da guerra(3) em curso para os nossos núcleos americanos.” 

Nesta mesma época, as Fraternidades buscam o Comandante, na Federação Espírita do Estado de São Paulo, orientando-o para que organizasse tarefas de assistência espiritual e Escolas, recuperando doentes e formando novos trabalhadores que pudessem fazer frente às dificuldades do momento, prestando socorro e encaminhando para as Escolas aqueles que o Senhor confiou à Boa Vontade e ao Amor aos brasileiros para sua recuperação.

É preciso continuarmos desenvolvendo sentimentos fraternais para não decepcionarmos o Mestre que escolhemos como exemplo para nossas vidas. 
Fonte:Martha Gallego Thomaz - HISTÓRIAS DAS FRATERNIDADES

7.0 - M.E. Movimento Espírita


Chama-se de Movimento Espírita ao conjunto de pessoas que professam, estudam, divulgam e praticam o Espiritismo de acordo com os ensinamentos contidos na Codificação Espírita. As obras da Codificação Espírita já foram traduzidas para diversos idiomas, inclusive para o japonês (até o momento somente o Evangelho Segundo o Espiritismo) e a língua de uso internacional e neutra esperanto (todas as 5 obras).

De acordo com dados mundiais, o movimento espírita no Brasil é o mais numeroso e mais vigoroso se comparado ao de outras partes do mundo como Europa e América Latina e do Norte.

Por enquanto um grupo pequeno, mas crescente está formando o Movimento Espírita no Japão.

O Espiritismo, enquanto Doutrina Espírita é um só e não possui divisões.



7.1 O Cristo desde o princípio sabia que sua Doutrina teria divisões


"Estranha Moral
Não vim trazer a paz, mas, a divisão"

Julgais que eu tenha vindo trazer paz à Terra? Não, eu vos afirmo; ao contrário, vim trazer a divisão; – pois, doravante, se se acharem numa casa cinco pessoas, estarão elas divididas umas contra as outras: três contra duas e duas contra três. – O pai estará em divisão com o filho e o filho com o pai, a mãe com a filha e a filha com a mãe, a sogra com a nora e a nora com a sogra. (S. LUCAS, 12:49 a 53.)

17. O Espiritismo vem realizar, na época prevista, as promessas do Cristo.

Entretanto, não o pode fazer sem destruir os abusos. Como Jesus, ele topa com o orgulho, o egoísmo, a ambição, a cupidez, o fanatismo cego, os quais, levados às suas últimas trincheiras, tentam barrar-lhe o caminho e lhe suscitam entraves e perseguições.

Também ele, portanto, tem de combater; mas, o tempo das lutas e das perseguições sanguinolentas passou; são todas de ordem moral as que terá de sofrer e próximo lhes está o termo.

As primeiras duraram séculos; estas durarão apenas alguns anos, porque a luz, em vez de partir de um único foco, irrompe de todos os pontos do Globo e abrirá mais de pronto os olhos aos cegos.

18. Essas palavras de Jesus devem, pois, entender-se com referência às cóleras que a sua doutrina provocaria, aos conflitos momentâneos a que ia dar causa, às lutas que teria de sustentar antes de se firmar, como aconteceu aos hebreus antes de entrarem na Terra Prometida, e não como decorrentes de um desígnio premeditado de sua parte de semear a desordem e a confusão.

O mal viria dos homens e não dele, que era como o médico que se apresenta para curar, mas cujos remédios provocam uma crise salutar, atacando os maus humores do doente.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, FEB, Cap. XXIII,  9 a 18. Copiado de Febnet)"

8.0 - Estudando as Divisões do Movimento Espírita


O Movimento Espírita Brasileiro possui diversas divisões, frutos de interpretações e sincretismos diferenciados.

Neste texto, o objetivo é nomear estes segmentos e tentar defini-los em breves palavras.

Nem todos concordarão com essa divisão e novos segmentos podem ser adicionados ou retirados, conforme o caso.

É preciso observar, também, que vários segmentos podem adotar as mesmas práticas.

REFLEXÃO:

1 - As Tentativas de Divisão no Movimento Espírita

vemos, hoje, com preocupação, o ambiente de hostilidade que irrompe, sorrateiro, tentando solapar a harmonia de nossas raízes doutrinárias, trabalhada ao longo de mais de 150 anos por espíritos benfeitores em favor da implantação do Cristianismo Primitivo na Terra.

Bezerra de Menezes tolerou “os científicos” e, com paciência, conseguiu direcionar o Movimento Espírita para a caridade, incentivando a fundação de instituições amorosas que, desde então, começaram a surgir no seio da nossa Doutrina como bênçãos de Jesus nos caminhos humanos. E o que se viu, ao longo de mais de um século, foi a dedicação de nossas casas espíritas ao amparo às crianças órfãs e carentes, ao cuidado com os deficientes, à visita fraterna aos encarcerados, ao conforto dos doentes e velhos abandonados. E, acima de tudo, desenvolveram entre elas um clima de respeito e fraternidade.

Hoje, precisamos, urgentemente, repensar o modo como estamos nos tratando dentro de nossas fileiras. Se há divergências – e é claro que elas existem – podemos resolvê-las na base da conversação e da conciliação, do respeito e do entendimento, do silêncio e da calma. Para isso, temos de deixar de lado o personalismo.

Muitas vezes, não nos damos conta, mas o elitismo está diretamente ligado ao personalismo. Toda vez que a criatura humana busca o destaque pessoal está incursa em uma atitude elitista. E a arrogância pessoal corrompe o trabalho desinteressado que devemos desenvolver em nome do Senhor.

“Servir é a honra que nos compete”, afirmam os benfeitores. Assim, servir com simplicidade é simples dever.

Que os espíritos instrutores, amorosos e justos, nos auxiliem a servir com amor e humildade. Basta isso para auxiliarmos a construção do mundo de paz com que todos nós sonhamos.

"As Tentativas de Divisão no Movimento Espírita"
Escrito por: (Extraido do jornal Folha Espírita - Março/2013)


2 - O Espiritismo - Mensagem de Dr. Romano

"O Espiritismo é uma luz e tem sua clareza em si mesmo!
É Divino, pois nos foi legado por Deus para iluminar o mundo com verdades.
Toda verdade leva tempo para ser compreendida em toda sua extensão.
Todos aqueles que ainda dividem-se orgulhosamente em discórdias para procurar entendê-lo, ou protegê-lo, não o compreendem, nem mesmo na sua base mais simples.
As divisões no Movimento Espírita são uma consequência natural.
Aqueles que com Humildade e Simplicidade calarem-se aos próprios melindres, conseguirão observá-lo por todos os ângulos.
Sejam integrantes do movimento Científico, Filosófico, Esotérico, Místico ou Religioso.
Porque, na verdade, tudo ainda é ciência de observação.
Que os vossos olhos não se fechem por orgulho de pretenderem estar com toda a verdade, neste ou naquele segmento. 
Que as vossas mentes possam dilatar com a virtude da Humildade.
Que a luz nas verdades do Cristo, trazida pelo Consolador que é o Espiritismo, não seja negada a ninguém!
Lembrem-se da Missão dos Espíritas!"

Mensagem recebida pelo médium Luis Carlos Okabayashi pelo Espírito de Dr. Romano (23/10/2014) 

"Perguntareis, então: Se entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, como reconhecer os que se acham no bom caminho?

Responderemos:
Podeis reconhecê-los pelos ensinos e a prática dos verdadeiros princípios da caridade; pela consolação que distribuírem aos aflitos; pelo amor que dedicarem ao próximo; pela sua abnegação e o seu altruísmo. Podeis reconhecê-los, finalmente, pela vitória dos seus princípios, porque Deus quer que a sua lei triunfe, e os que a seguem são os escolhidos, que vencerão. Os que, porém, falseiam o espírito dessa lei, para satisfazerem sua vaidade e sua ambição, esses serão destruídos."

O Evangelho Segundo o Espiritismo por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

II – Missão dos Espíritas - ERASTO Paris, 1863

8.1.0 - Movimento Religioso

Origem:

A origem desse segmento está ligada ao processo de organização do Espiritismo no Brasil, ainda na década de 1870, com a fundação da Sociedade de Estudos Espíritas Deus,Cristo e Caridade (lema que até hoje figura na “bandeira” da FEB), no Rio de Janeiro. Essa vertente surgiu da divergência com outra corrente, então chamada “científica”. É o segmento mais antigo no Brasil e responde pelo maior contingente de espíritas no Brasil e estende sua influência até o exterior. Possuem mais de 10 mil grupos filiados, o que nos leva a pensar que seus membros passem de um milhão.

Base doutrinária:

Fundamentalmente, mas não necessariamente, vinculados à FEB (Federação Espírita Brasileira). Propagam que o Espiritismo possui três aspectos: científico, filosófico e religioso. Contudo, na prática, difundem um Espiritismo religioso (muitas vezes, os centros deixam claro em seu estatuto tratar-se de uma entidade religiosa) e possuem muita proximidade com o Catolicismo. Grande parte de seus membros são ex-católicos e é comum encontrarmos referências a santos católicos nestes centros, seja pelo nome do centro espírita, seja por quadros ou mesmo em preces (referências à Maria como “nossa mãe santíssima”, etc.). São extremamente apegados à figura de Jesus, elevando-o a condição de “Governador da Terra”.

Atividades:

Buscam, através da FEB, unificar o Movimento Espírita. Isto é, criar um “modelo de gerenciamento espírita”, de modo que os mais diversos grupos, espalhados pelo Brasil, tenham uma prática bastante semelhante. Esses grupos, geralmente, realizam palestras públicas (normalmente centradas no livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo"), promovem trabalhos de “catecismo espírita”, chamados de Evangelização Infantil, para crianças e mocidade, para jovens. Possuem um bom trabalho de assistência material (normalmente, servindo sopa e almoço nos centros espíritas para pessoas pobres), oferecem serviços de passes, desobsessão e, em menor escala, grupos de desenvolvimento mediúnico. Os grupos de estudos, normalmente, se dão em torno dos livros de André Luiz ou numa série de apostilas intituladas ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita).

Livros:

Embora se divulgue e incentive a leitura das obras de Kardec, este segmento valoriza a obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” acima de todas as demais e reforçam suas crenças através das obras do Espírito André Luiz (psicografado por Chico Xavier/Waldo Vieira) que consideram “obras complementares” às de Kardec. Esta é, possivelmente, a vertente que mais consome romances mediúnicos, tomando-os como referência, desde que sejam coerentes com os livros de Chico Xavier.
             
Representantes:

Bezerra de Menezes, Chico Xavier e Divaldo Franco   

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8.1.1 - Movimento Filosófico-Religioso

Origem:

Não há uma data precisa sobre a origem desse movimento, que se intensificou entre os anos de 1950-1970, principalmente na cidade de São Paulo. Não possuem muitos membros (talvez, no máximo, algumas centenas) e são mais frequentemente vistos na cidade do Rio de Janeiro.

Base doutrinária:

Esse movimento caracteriza-se por um forte apelo à “pureza doutrinária” (isto é, conservar o Espiritismo aos moldes de Kardec) e pela crítica direta e, muitas vezes, dura, à FEB e ao Movimento Espírita Brasileiro. Consideram o Espiritismo como uma “religião, mas não uma igreja” e possuem forte tendência filosófica, além de um profundo estudo da obra de Allan Kardec e da Revista Espírita, pouco explorada em outros segmentos. Tendem a ver a obra de Kardec como inspiração Divina.

Atividades:

Palestras públicas, seminários e publicação de jornais. O trabalhado caritativo, neste seguimento, é muito diversificado .

Livros:

Todos os livros de Allan Kardec. Dois outros livros que certamente marcaram época neste seguimento, foram: Conscientização Espírita, de Gélio Lacerda e O Verbo e a Carne, de Herculano Pires e Júlio Abreu Filho.



8.1.2 -  Movimento Evangélico


Origem:

Entre 1950-1970, em São Paulo, através da fundação da Escola de Aprendizes do Evangelho, cuja proposta é: “de um programa organizado para proporcionar a vivência do Cristianismo como proposta essencial de aperfeiçoamento moral da Humanidade através da Reforma Íntima do ser”. Estão concentrados na região Sudeste do Brasil e seu contingente é de alguns milhares de membros.

Base Doutrinária:

Assim como o movimento religioso, o movimento evangélico (mas, não protestante) possui uma forte tendência Cristã. Seus programas de estudo visam um amplo conhecimento do Cristianismo primitivo e seus membros se caracterizam pela busca constante de melhoria moral. Estudam e incentivam o estudo das demais obras de Allan Kardec, mas tendo por foco o Evangelho.

Atividades:

Este grupo, basicamente, atua em três áreas distintas:

a) Escola de Aprendizes do Evangelho (estudo profundo do Cristianismo em busca de desenvolvimento moral);

b) Curso de Médiuns (famosos cursos com duração de 18 meses para formação de médiuns capacitados para o trabalho no Centro Espírita);

c) Atendimento Espiritual.

Livros:

Desenvolvimento Mediúnico (Edgar Armond), Passes e Radiações (Edgar Armond)

Representantes:                          

Edgar Armond

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8.2.0 -  Movimento Espírita Umbandista (umbandismo)


Origem:

Fundada pelo Espírito do Jesuíta Frei Gabriel Malagrida (Caboclo das Sete Encruzilhadas) em 15 de novembro de 1908, no Estado do Rio de Janeiro, através do médium Zélio Fernandino de Moraes. Diferente do que muitas vezes é comentado, a Umbanda é uma religião puramente brasileira, embora tenha nascido num período em que o culto do Candomblé de Nação trazido pelos africanos e os cultos desorganizados de mesma origem proliferavam na Bahia. Foi severamente perseguida pelas autoridades. A Casa-Máter da Umbanda"União Espiritista de Umbanda do Brasil (UEUB) foi fundada em 1939. Essa Umbanda brasileira é Chamada de Umbanda Tradicional. Não deve ser confundida com outros segmentos, tais como:
Umbanda Popular (Candomblé de Caboclo), Umbanda Branca (de mesa), Umbanda Omolokô, Umbanda Traçada (Cruzada), Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática, Umbanda de Caboclos e Umbanda de Pretos-Velhos.

Base Doutrinária:

É uma religião monoteísta, Deus é chamado de Zambi ou Olorum, suas virtudes são cultuadas através de suas divindades, à saber: Oxalá (sincretizado - Jesus Cristo), Yemanjá (Nossa Senhora), Oxum (Nossa Senhora Aparecida), Yansã (Sta. Bárbara), Oxóssi (São Sebastião), Xangô (São Gerônimo) e Ogum (São Jorge). Prega os mesmos conceitos filosóficos da Doutrina Espírita, O Cristianismo, a pluralidade das existências e a imortalidade da alma. Diverge, apenas, na forma exterior em que se apresenta na prática ritualística e no uso de imagens e velas.


Atividades:

Adotam as obras de Allan Kardec, Robson Pinheiro,  Rubens Saraceni, Norberto Peixoto e outras. Recebem orientações das correntes de trabalho espiritual, nas linhas dos Pretos-velhos, Caboclos, Baianos e outras. Com base no merecimento do consulente, aplica-se os tratamentos espirituais, utilizando-se das técnicas de passes adaptadas pelos espíritos para atender a uma demanda de carga fluídicas de densidade maior do que normalmente se atende nas casa espíritas, assim como desenvolve a desobsessão em que entidades trevosas estão envolvidas. Trabalha contra os males da magia negra e suas consequências.

Estuda-se a mediunidade, o Cristianismo e os fundamentos da Umbanda.

Livros:

Adotam as obras de Allan Kardec, Robson Pinheiro,  Rubens Saraceni, Norberto Peixoto e outras.

Representantes:                            

Zélio Fernandino de Moraes

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8.3.0 - Movimento Esotérico ou Místico


Origem:

Início dos anos de 1950. O principal expoente deste movimento é o espírito Ramatís (um caso curioso, já que os outros movimentos foram iniciados por encarnados), através do médium Hercílio Maes. Juntos, produziram mais de 10 obras. Uma característica curiosa desse movimento é a falta de uniformidade. Enquanto os demais segmentos são mais ou menos homogêneos, neste há um contexto sincrético profundo e diferenciador.

Adotam, além das obras de Allan Kardec, as obras do espírito Ramatís como referência e também aspectos e ensinos das culturas Orientais e Indianas. Muitos espíritos que dão comunicações nestes grupos relatam terem vividos nessas culturas. Sofrem muito preconceito do movimento geral, que geralmente negam-lhes caráter espírita. Estão mais particularmente concentrados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, embora haja membros em todo o Brasil. Respondem por alguns milhares de membros.

Base Doutrinária:

Adotam os livros de Allan Kardec, Chico Xavier e alguns outros médiuns, mas sua fonte central de informação, normalmente, são as obras de Ramatís, além de explorarem conhecimento do Oriente e da Índia. Adotam o conceito de Karma, Chacras e terapias alternativas (apometria, cromoterapia, etc). Por conta do preconceito sofrido, muitos membros preferem denominar seus centros de “fraternidade” ou utilizar o nome “espiritualista” ao invés de espírita.

Atividades:

Foco no tratamento espiritual, através de cromoterapia, terapia Prânica, Desobsessão, fitoterapia (às vezes, homeopatia via receituário mediúnico), etc.

Livros:

Todas as obras de Allan Kardec. Todas as obras de Ramatís, através dos mais diversos médiuns. Alguns livros de Edgar Armond.

Representantes:                    

Hercílio Maes, Wagner Borges

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8.4.0-  Movimento Laicista

Origem:

Pode-se dizer que este movimento esteve presente desde o surgimento do Espiritismo. Contudo, ele tomou forma no ano de 1888, no congresso de Barcelona, onde o caráter Laico foi reafirmado.

Na América do Sul, ele se consolida em 1946, em Bueno Aires, Argentina, com a criação da Confederação Espírita Pan-Americana, propagando uma visão “laica, progressista, humanista e livre-pensadora do Espiritismo”. Não se pode dizer sobre seu contingente na América Latina e do Sul (onde possuem representação em diversos países, ainda que pequena, se comparada à da FEB). No Brasil, encontram-se alguns grupos, principalmente, nas cidades de Porto Alegre, João Pessoa e Santos, somando-se algumas centenas de membros.

Base Doutrinária:

Este movimento acentua-se pelo estudo da obra de Allan Kardec (por isso, dizem-se Kardecistas, termo comum nesse segmento, ao contrário dos demais) e pela comparação com outras modalidades de pensamentos.

É a vertente mais “aberta e tolerante” e com forte inclinação histórico-social e humanista. Não veem o Espiritismo como “Revelação Divina”, e sua proposta é sempre de diálogo com os diversos grupos e correntes do Espiritismo. Sua principal característica é o posicionamento laico, isto é, não religioso do Espiritismo.

Sofrem forte crítica dos demais segmentos por propor que o Espiritismo deva ser atualizado perante a ciência e demais áreas do conhecimento humano, ainda que não se proponha a fazê-lo.

Atividade:

Palestras, congressos, rádio, jornais e lista de debates via internet.

Livros:

Obras de Allan Kardec

Representantes:                           

Amália Domingo y soler, Humberto Mariotti, Jaci Régis e, atualmente, Milton Medran Moreira.

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8.5.0 -  Movimento Científico

Origem:

Pode-se dizer que este movimento iniciou-se com Kardec, pois pretendia, com o Espiritismo, formar uma nova ciência (como posteriormente se tentou com a metapsíquica, e depois com parapsicologia).

Este movimento surge da cisão com um movimento religioso que se formava ainda quando Kardec estava vivo, na França. Atualmente, não há registro da existência desse movimento, sendo praticamente extinto.

Base Doutrinária:

Este movimento adotava como base doutrinária os livros de Allan Kardec, mas buscavam ler estas obras com viés científico. Tentavam, de todas as formas, evidenciar a existência dos “fenômenos espíritas” através de experimentações científicas. Foram muito populares no fim do século XIX e início do século XX. Contudo, os resultados produzidos eram, quase sempre, pequenos e com frequência descobriam-se fraudes, o que ajudou a enfraquecer essa corrente.

Por volta da década de 1860, quando se começou a criar grupos espíritas com certa regularidade no Brasil, havia uma tensão muito grande entre grupos de cunho religioso e grupos de cunho científico, o que frequentemente culminava em cisões que originavam outros grupos. Os espíritas de cunho religioso, até mesmo pelo contexto cultural-religioso do Brasil, terminaram se tornar maioria e hoje praticamente não existe mais o movimento científico do Espiritismo.

Obs.: Existem alguns poucos pesquisadores que tratam o Espiritismo como objeto de ciência. Geralmente, de cunho histórico-social. Contudo, estes pesquisadores, normalmente, estão inseridos em alguns dos outros segmentos, não formando, até o momento, um segmento científico próprio.

Livros:

Obras de Allan Kardec de livros científicos em geral.

Representantes:                        

Ernesto Bozzano, Camille Flammarion, Alexander Aksakof.

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8.6.0  -  Movimento Livre-Pensador


Origem:

Não há uma data específica. Este movimento existe desde o surgimento do Espiritismo. Atualmente, seus membros encontram-se espalhados por outros segmentos, embora grande parte não atue em um centro espírita institucionalizado. Seu contingente é de algumas centenas.

Base Doutrinária:

Este segmento adota as obras de Allan Kardec como base e, sobre ela, fazem seus estudos e críticas. Sua principal característica é a criticidade e contextualização das obras de Allan Kardec.

São vistos, pelos demais movimentos, como polêmicos, uma vez que seu posicionamento crítico pode gerar incômodos, especialmente quando analisados de um ponto de vista 
histórico-social.

A leitura das obras de Allan Kardec, neste segmento, não é feita de forma científica, filosófica ou religiosa. Geralmente, seus membros veem o Espiritismo como fruto de uma época em que pesava as influências cartesianistas e positivistas do século XIX e sua adesão ao Espiritismo é, simplesmente, uma afinidade de pensamentos.

Normalmente, também não aceitam a opinião que diz ser o Espiritismo o consolador prometido por Jesus ou terceira revelação, pois entendem que tal postura é excludente.

Atividades:

 Quando participantes de um centro espírita, estão mais ligados a organização de estudos ou palestras, embora também estejam presentes em outras atividades. Uma grande parte desses membros atua pela internet, seja através das redes sociais, blogs, fóruns, etc. Possuem muita semelhança com o movimento laico.

Livros:

Todas as obras de Allan Kardec, livros científicos em geral e, eventualmente, algum romance.

Representantes:                     

Este segmento não possui representante de grande abrangência.

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8.7.0 -  Movimento Universalista

Origem:

Não há uma data específica sobre o surgimento deste movimento. Ele parece existir desde o princípio do Espiritismo no Brasil e tem se intensificado nos últimos anos. Seu contingente atinge alguns milhares de espíritas por todo o Brasil.

Base Doutrinária:

Uma das características deste movimento é o sincretismo religioso. Adotam influências das mais diversas correntes do pensamento humano (catolicismo, protestante, budista, indiana,
hindu, afro, indígena, conceitos da física quântica, etc).

São muito próximos, em termos de identidade ao movimento esotérico. Contudo, diferenciam-se ao propor um diálogo religioso universalista (e agregacionista) em termos de Espiritismo.

Adotam as obras de Allan Kardec e quaisquer outras, desde que sejam obras que demonstrem amor e boa-vontade. Seus membros mostram-se pessoas muito afetivas e absorvem influência de todos os credos.

Costumam dizer que o que importa é o amor, e veem as demais religiões como boas, desde que ajudem seus membros a se tornarem pessoas melhores. 

Uma curiosidade sobre este segmento é que dificilmente ele se consolida em grupos e, quando o faz, geralmente, são isolados. São mais facilmente encontrados entre outros segmentos.

Livros:

Todo livro espírita e espiritualista.

Representantes:                      

Benjamin Teixeira de Aguiar



9.0 - Algumas Posturas Espíritas

TIPOS DE ESPÍRITAS E POSTURA ESPÍRITA

Em diferentes obras, Kardec dedicou-se a definir e caracterizar os Espíritas de acordo com a forma com que aproveitam o conhecimento doutrinário que lhes chega ao coração.

Em O Livro dos Espíritos(1), ao apresentar o Espiritismo em seus três aspectos, o Codificador classifica os espíritas em três graus: os que crêem nas manifestações e as comprovam, sendo, portanto, experimentadores; os que percebem as conseqüências morais dessa experimentação e os que praticam ou se esforçam por praticar essa moral. Seguindo a mesma linha de raciocínio, em O Livro dos Médiuns(2), ele propõe uma nomenclatura para cada tipo de adepto, a saber:

Os que crêem nas manifestações: Espíritas Experimentadores. Só se importam com os fenômenos e sua explicação científica.

Os que, além dos fatos, compreendem as conseqüências morais, mas não as colocam em prática: Espíritas Imperfeitos, que não abrem mão de ser como são.

Aqueles que praticam a moral espírita e aceitam todas as suas conseqüências: Os Verdadeiros Espíritas ou Espíritas Cristãos, apresentando duas características básicas: a caridade como regra de proceder e, pela compreensão dos objetivos da existência terrestre, o esforço “por fazer o bem e coibir seus mau pendores”(3).
O Verdadeiro Espírita, reconhecível “pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”(4).
A luta pela mudança interna é reconhecida, por inúmeros autores espirituais confiáveis, como imprescindível ao nosso amadurecimento espiritual. É a “decisão de ser feliz”(5) proposta por Joanna de Ângelis, que passa pela revisão de toda a nossa conduta diante de Deus e do próximo, pela coragem de enfrentar a si mesmo, reconhecendo os erros e iniciando o processo de correção de rumo.
André Luiz nos alerta, quanto a alguns “modos como nós, Espíritas, perturbamos a marcha do Espiritismo”(6):

– Esquecer a Reforma Íntima
– Afastar-se das Obras de Caridade
– Negar-se ao Estudo

Em razão da nossa educação, em razão do nosso nivelamento intelectual, moral e cultural,

das nossas crenças, de nossas inclinações e outros tantos fatores que influenciam a nossa forma de ver e entender a Doutrina Espírita, nós adotamos determinadas

POSTURA ESPÍRITA como segue: 

9.1.0 - Espíritas sem raiz ( orgulhosos)

São Admiradores. Formam um grupo de adesão superficial aos princípios espíritas. Ficam deslumbrados com a Doutrina,  e de forma precipitada, preocupam-se em fazer palestras, divulgar um Espiritismo que conhecem superficialmente. Quando participam de encontros dentro do Movimento Espírita, estão muito mais preocupados em falar do que ouvir.
Quando na oportunidade de falarem, confundem os participantes com tantos adjetivos. Acrescentam informações de cunho pessoal, segundo suas convicções. Eles têm fortes inclinações para o fanatismo religioso, porque não o estudam  profundamente, apenas o contemplam. Fazem leituras superficiais e no que acreditam ter compreendido, divulgam a Doutrina sempre revestindo-a em suas palestras com relatos da sua própria experiência pessoal. Notoriamente exibem o próprio orgulho e vaidade. Em reuniões públicas falam da importância do culto do evangelho no lar, entretanto sem realiza-lo em suas casas. Assumem uma postura exterior de Cristãos quando vestem o uniforme. Mas sem nenhuma vivência desse no próprio cotidiano, contrastando entre o que falam e o que fazem. São os hipócritas da atualidade.
"É possível um cego guiar outro cego? Não acontecerá que ambos venham a cair em algum buraco?" Lucas 6:39

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9.2.0 - Espíritas Fenomenistas

Assemelham-se aos Espíritas sem raiz, porém são atraídos pelo fenomenismo psíquico, sem haver enriquecido o coração com as luzes do Evangelho e da Doutrina em sua integra. Focam o médium de efeitos físicos, divulgando esse com fervor, e não as bases doutrinarias do Espiritismo. Se na questão da cura, promovem uma falsa esperança. Se na questão das investigações de cunho científico, acabam por reunir apenas curiosos. Estreitam suas visões no campo do paranomal. Sem dúvidas alguma, a Transcendental Mediunidade de Efeitos Físicos merece todo nosso apreço, contudo entendamos que a Doutrina Espírita apenas nos esclarece a respeito desses fenômenos. Se desejarmos divulgar a Doutrina dos Espíritos, sejam atravéz do nosso trabalho em favor do próximo e exemplos de atitudes na vivência de seus ensinamentos. O fenômeno em si pode despertar interesse, mas não conseguirá atingir o coração.
Lembrando o memorável Herculano Pires ( 1914-1979 ), o Espiritismo ainda continua um "desconhecido", e a maioria , movida pela ânsia de soluções imediatistas, ainda não busca uma nova filosofia de vida, a par de uma explicação para o porquê "do ser, do destino e da dor". 

(1) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, 60a ed., FEB, Conclusão, item VII
(2) Kardec, Allan, O Livro dos Médiuns. 26a ed., FEB, 1ª parte, cap. III, item 28
(3)Id.Ibid,
(4)Kardec, Allan O Evangelho Segundo o Espiritismo, 86a ed. FEB, cap. XVII, nº 4
(5)Franco, Divaldo P. Momentos de Saúde, pelo Esp. Joanna de Ângelis, cap.1
(6)Xavier, Francisco C. Opinião Espírita, pelo Esp. André Luiz , Cap. 19
(7)Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, 86a ed. FEB, cap. XVII, nº 4
(8)Kardec, Allan. Obras Póstumas. 26a. Ed. FEB, 1ª parte, “Desertores”

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9.3.0 - 






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